Crescimento da influência política muçulmana nos EUA: um tremor que promete remodelar o cenário eleitoral e gerar debates
Um número recorde de candidatos muçulmanos tem conquistado vitórias em eleições primárias e cargos públicos nos Estados Unidos, sinalizando uma transformação no panorama político. Essa ascensão levanta preocupações sobre o aumento da influência islâmica e seus potenciais desdobramentos, como o aumento do antissemitismo e a possível adoção de leis sharia em comunidades muçulmanas.
No último novembro, 42 muçulmanos americanos chegaram a cargos públicos, um marco sem precedentes. Destaque para Zohran Mamdani, que se tornou prefeito de Nova York, um resultado que causou grande impacto no meio político. Com as eleições de meio de mandato se aproximando, observadores antecipam um “efeito Mamdani”, com sua influência em expansão.
Sam Westrop, diretor do Middle East Forum, aponta que esses avanços eleitorais não são aleatórios. Ele os descreve como o resultado de uma estratégia de décadas, envolvendo lobbying e treinamento de candidatos, iniciada no final dos anos 2000. “O que estamos vendo agora em Nova York, Nova Jersey, Michigan e em todo o país são os frutos desses esforços, décadas de desenvolvimento por radicais islamistas para construir a infraestrutura que agora permite que radicais perigosos concorram a cargos”, declarou Westrop.
Há oito anos, eleitores muçulmanos americanos fizeram história ao eleger Rashida Tlaib, de Michigan, e Ilhan Omar, de Minnesota, como as primeiras mulheres muçulmanas no Congresso. Atualmente, uma nova onda de candidatos busca avanços ainda maiores, especialmente em estados democratas, onde comunidades muçulmanas engajadas podem ter influência desproporcional em primárias com baixa participação.
Porém, a situação é mais complexa. Enquanto alguns candidatos, como Adam Hamawy de Nova Jersey, possuem um histórico notável de serviço público, críticos apontam para questões subjacentes. Westrop mencionou o envolvimento de Hamawy com causas islamistas e alegações sobre seu papel como testemunha em um julgamento de terrorismo anos atrás.
Em 1995, Hamawy testemunhou em defesa de Omar Abdel-Rahman, conhecido como o “sheik cego”, acusado de planejar o atentado ao World Trade Center em 1993. Embora Hamawy tenha se distanciado desses eventos, críticos argumentam que seu testemunho minimizou o extremismo do sheik, levantando dúvidas sobre seu julgamento. Mais recentemente, Hamawy atuou como médico voluntário em Gaza em 2024 e 2025, com viagens patrocinadas pela Palestinian American Medical Association, um grupo que enfrenta acusações de ligações com o Hamas, o que o grupo nega.
“Há preocupações sobre Hamawy. O melhor que ele poderia fazer é explicar sua relação com algumas dessas organizações radicais nos Estados Unidos. O silêncio dele é preocupante, para mim. E ele não é o único candidato que, felizmente, faz vista grossa”, comentou Westrop.
Publicamente, Hamawy condena o antissemitismo e os ataques do Hamas em outubro de 2023 contra civis israelenses. Ao mesmo tempo, critica Israel, chamando-o de estado de apartheid, rotulando a campanha em Gaza como genocídio e exigindo que Washington corte o auxílio militar.
Outros candidatos muçulmanos com visões semelhantes incluem Darialize Avila Chevalier e Aber Kawas, vencedores de primárias em Nova York, e o candidato ao senado de Michigan, Abdul El-Sayed. Westrop expressou preocupação com El-Sayed, citando afiliações islamistas e o apoio de grupos considerados perigosos.
Westrop e outros acreditam que a eleição de islamistas em legislaturas estaduais e no Congresso poderia levar à aprovação de agendas radicais. A aliança entre “verdes” (muçulmanos) e “vermelhos” (socialistas) é uma preocupação para críticos, que temem a imposição de um controle governamental expansivo. Judeus americanos alertam que a retórica anti-Israel e a presença de detentores de cargos islamistas podem alimentar crimes de ódio antissemitas.
Há também o receio de que a lei sharia se expanda em enclaves muçulmanos segregados. Essa preocupação levou à formação do Sharia-Free America Caucus. Westrop comparou a situação a experiências no norte da Inglaterra, onde a segregação em comunidades islamistas resultou na radicalização de indivíduos que se juntaram a grupos terroristas estrangeiros ou cometeram atos de terrorismo doméstico.
Danny Burmawi, fundador do Ideological Defense Institute, argumenta que propostas para banir a lei sharia nos EUA provavelmente falharão, pois ela estaria protegida pela Primeira Emenda como parte da liberdade religiosa. Westrop, por sua vez, vê a ascensão de candidatos islamistas como uma ameaça à política externa americana e aos contribuintes, temendo um aumento no direcionamento de verbas públicas para indivíduos com agendas radicais.
Para Burmawi, a solução começa com o reconhecimento do Islã como um sistema político, e não apenas religioso. “Reconheça que uma grande parte de sua função é uma ideologia política semelhante ao comunismo ou fascismo. O Islã não é apenas uma religião. O Islã é uma ideologia política que busca adquirir poder e impor seu sistema à sociedade”, afirmou.
