China mantém status de violadora da liberdade religiosa após libertação do pastor Jin
A recente libertação do pastor Ezra Jin, ocorrida esta semana, não sinaliza uma flexibilização geral da pressão sobre os cristãos na China. Especialistas apontam a ação como uma “decisão política cuidadosamente calibrada”, e não como uma evidência de mudança na política religiosa de Pequim.
Segundo Mariam Wahba, analista de pesquisa da Foundation for Defense of Democracies, a campanha chinesa contra a prática religiosa independente continua sendo uma das mais sistemáticas globalmente. “Igrejas domésticas protestantes continuam sendo fechadas, clérigos católicos leais ao Vaticano permanecem sob vigilância ou detenção, e a sinicização – a política estatal de forçar a religião a se conformar à ideologia do Partido Comunista Chinês (PCC) – avança inalterada”, escreveu Wahba em uma análise.
O caso do pastor Jin e a repressão contínua
Wahba destacou que Jin foi um dos 30 líderes religiosos detidos em outubro de 2025, em uma das maiores repressões a uma única congregação em décadas. Desses, oito ainda permanecem sob custódia. A China reconhece oficialmente 44 milhões de cristãos registrados, mas estimativas que incluem igrejas domésticas clandestinas chegam a 160 milhões.
Sinicização: a ideologia do PCC sobre a fé
A sinicização é central na abordagem de Pequim, exigindo que grupos religiosos se alinhem com a ideologia do Partido Comunista e prioridades nacionais. Essa política tem resultado em envolvimento estatal na nomeação de clérigos, instrução religiosa, locais de culto e mensagens públicas.
Para igrejas protestantes, isso significa pressão para promover educação patriótica e exibir símbolos de autoridade estatal. Comunidades católicas enfrentam esforços governamentais expandidos para controlar liderança e governança da igreja.
Wahba também observou que budistas tibetanos e muçulmanos uigures enfrentam supervisão estatal semelhante, combinada com controle político mais direto, incluindo genocídio no caso dos uigures. Autoridades chinesas frequentemente veem grupos religiosos operando fora de estruturas aprovadas pelo estado como desafios potenciais ao controle governamental.
Padrão de violação persistente
A Foundation for Defense of Democracies afirma que a China continua a atender aos critérios para ser designada pelo Departamento de Estado dos EUA como País de Particular Preocupação sob a Lei de Liberdade Religiosa Internacional. Esta categoria é reservada a governos responsáveis por graves violações da liberdade religiosa e passíveis de sanções.
Organizações como a Open Doors, que monitora a perseguição cristã mundialmente, indicam que igrejas protestantes registradas na China devem operar sob o Movimento Patriótico das Três Autonomias, enquanto igrejas católicas registradas se enquadram na Associação Patriótica Católica Chinesa. Ambos os órgãos são estritamente monitorados pelo estado, que controla pregações, frequência e liderança, além de proibir a participação de menores de 18 anos.
Muitos cristãos optam por se reunir em igrejas domésticas clandestinas, uma escolha que pode expô-los a batidas policiais, multas, prisões, encarceramento e confisco de materiais religiosos. A pressão atual, segundo a Open Doors, deriva em grande parte das revisões de 2018 nas regulamentações religiosas da China, vigilância expandida e regras de internet mais rigorosas, com as restrições ao envolvimento infantil na vida da igreja tornando-se uma preocupação cada vez mais visível.
Portanto, a libertação isolada de um indivíduo não altera o padrão de conduta estatal que mantém a China sob escrutínio internacional quanto ao respeito à liberdade religiosa.
