Autoridades iranianas ameaçam confisco forçado de histórica igreja protestante em Teerã
A histórica Igreja Evangélica São Pedro, em Teerã, um dos poucos templos protestantes remanescentes no Irã, corre o risco de ser confiscada pelo governo iraniano. A medida, que vem acompanhada da ordem de despejo para 20 famílias que residem na propriedade, intensifica as preocupações sobre a pressão contínua do regime sobre minorias religiosas no país.
Relatos indicam que um jardim de 10.000 metros quadrados pertencente à igreja já foi ocupado por quatro oficiais ligados à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. A situação tem gerado forte condenação internacional, com pedidos por uma resposta firme da comunidade global.
Pressão crescente sobre minorias religiosas
Sasan Tavassoli, um ministro baseado nos Estados Unidos com ligações à Igreja Presbiteriana no Irã, descreveu a retórica das autoridades. Ele mencionou a sensação de que o governo iraniano não tem maise medo de pressões externas, como as dos Estados Unidos, após a retirada americana. Essa percepção agrava o temor de confisco e perseguição.
“Fomos ameaçados com prisão se nos recusarmos a sair”, afirmou Nadine Maenza, copresidente da Task Force on Middle East Minorities da ADL e ex-presidente da Comissão dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional. “A comunidade internacional deve responder com clareza e resolução.”
A ameaça à Igreja São Pedro se insere em um contexto mais amplo de repressão sistemática contra minorias religiosas no Irã, que inclui cristãos, bahá’ís, judeus e muçulmanos sunitas. A apreensão e demolição de igrejas fazem parte dessa estratégia, segundo a ADL.
Histórico de perseguição e demolições
Este não é um incidente isolado. No início de junho de 2026, a Igreja Evangélica do Irã, localizada em Mashhad, a segunda maior cidade do país, foi supostamente confiscada e completamente demolida por ordem do regime iraniano. Esses atos demonstram um padrão de comportamento do governo em relação a locais de culto de minorias.
Rev. Johnnie Moore, membro da Task Force on Middle East Minorities da ADL, interpretou essas ações como um reflexo de medo, e não de força. Ele destacou que um regime que se vê obrigado a demolir igrejas e confiscar santuários de congregações pacíficas está, na verdade, confessando seu receio de uma fé que não pode controlar ou de um povo que não consegue subjugar.
Os cristãos protestantes iranianos, que hoje se reúnem em salas de estar e porões sob ameaça de prisão, são descritos como exemplos de coragem. Sua resistência silenciosa serve como uma crítica às alegações de legitimidade do governo iraniano.
Classificação internacional de perseguição
O Irã figura na 10ª posição na lista dos países com maior perseguição a cristãos, de acordo com o relatório de 2026 da World Watch List, da Open Doors. O documento aponta que os cristãos no Irã enfrentam incursões em igrejas domésticas, longas penas de prisão, interrogatórios e hostilidade de familiares e comunidades locais.
