Venezuela decreta estado de emergência após dois fortes terremotos causarem ao menos 589 mortes e mais de 3 mil feridos
Um cenário de devastação tomou conta da Venezuela após a ocorrência de dois poderosos terremotos na quarta-feira, 24 de junho. Autoridades locais confirmaram um saldo preliminar de pelo menos 589 óbitos e mais de 3.000 pessoas feridas em decorrência dos abalos sísmicos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alertou para a possibilidade de um aumento considerável no número de fatalidades e de perdas econômicas significativas.
O primeiro tremor, com magnitude 7.2, atingiu a região central costeira às 18h04, tendo seu epicentro próximo a San Felipe, no estado de Yaracuy. Pouco tempo depois, um segundo sismo, de magnitude 7.5, mais forte, ocorreu perto do município de Yumare, um pouco mais ao norte. Diante da tragédia, a então presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou estado de emergência para coordenar os esforços de resposta.
As áreas mais severamente afetadas incluem Caracas, La Guaira, Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón. Relatos indicam que mais de 20 réplicas foram registradas em todo o país. A infraestrutura aeroportuária sofreu danos graves e o local permanece fechado para operações. O prefeito de Chacao, Gustavo Duque, informou sobre o desabamento de um prédio de oito andares e outro de doze.
Um dos primeiros informes veio de Baruta, onde autoridades reportaram três mortes após o colapso de dois edifícios no município. Interrupções no fornecimento de energia elétrica começaram a ser comunicadas em diversos setores de Caracas e outras regiões do país. Inicialmente, alertas de tsunami foram emitidos para Venezuela, Aruba, Bonaire, Porto Rico e Ilhas Virgens Britânicas, mas foram posteriormente cancelados.
A Fundação para a Pesquisa Sismológica Venezuelana (Funvisis) já havia sinalizado que o país está em uma zona de complexo contexto geodinâmico. Essa condição resulta da interação entre as placas tectônicas Caribenha e Sul-Americana, gerando significativa atividade sísmica.
Em meio à crise, igrejas evangélicas venezuelanas e ministérios internacionais convocaram orações pela nação nas redes sociais. O pastor Carlos Arizmendi compartilhou um vídeo mostrando o desabamento da igreja evangélica Anunciadora de Sion em La Guaira. Ele relatou ter escapado, resgatando uma criança, mas confirmou que membros da congregação ficaram presos nos escombros.
“Perdemos tudo, mas sei que meu Redentor vive e nos sustenta”, declarou o pastor.
A organização World Vision relatou que sua equipe na Venezuela vivenciou diretamente o impacto dos abalos. María Andreína Pernalete, diretora de comunicação da entidade em Caracas, precisou evacuar seu apartamento danificado com a família e buscou refúgio em um convento local, que também abriga outras famílias. Luis Colmenárez, especialista em comunicação de emergência, descreveu a experiência no cinema: “O tremor durou entre dois e três minutos, pareceu uma eternidade”. Ele observou que os hospitais estão sobrecarregados, com pacientes sendo atendidos nas ruas, e que a população permanece em áreas externas por medo de novas réplicas. A World Vision ativou suas equipes de resposta emergencial para avaliar os danos nas áreas de atuação.
