EUA abrem canais com Irã e Hezbollah em meio a tensões e advertências de Teerã

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EUA estabelecem diálogo militar direto com Irã e Hezbollah enquanto Teerã envia mensagens conflitantes sobre navegação

Os Estados Unidos anunciaram a abertura de novos canais de comunicação militar direta com o Irã e o Hezbollah, uma medida que visa reduzir a escalada de tensões na região, especialmente em torno do Estreito de Ormuz. A iniciativa ocorre em um momento de mensagens divergentes entre Washington e Teerã sobre a segurança da navegação internacional. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) emitiu advertências a navios comerciais, enquanto autoridades americanas reafirmam a liberdade de trânsito marítimo. A notícia foi divulgada por fontes dos EUA.

A tensão aumentou com um ataque de drone atribuído ao IRGC a um navio cargueiro de bandeira singapuriana perto da costa de Omã, resultando em danos à embarcação, conforme relatado por autoridades marítimas britânicas. Horas antes do incidente, a Marinha do IRGC declarou que a passagem segura pelo Estreito de Ormuz estaria restrita a rotas designadas pela República Islâmica, considerando propostas de novas rotas como inaceitáveis e perigosas. Essa postura levou a Organização Marítima Internacional (IMO) a suspender temporariamente a operação de remoção de centenas de navios encalhados no Golfo Pérsico, a fim de reavaliar as garantias de segurança.

Em paralelo, o Secretário de Estado Marco Rubio se reuniu com ministros das Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo e com o ministro saudita Faisal bin Farhan al-Saud, no Bahrein. Rubio assegurou que os EUA e os parceiros do Golfo não tomarão decisões que comprometam a prosperidade, estabilidade ou segurança regional. Ele também prometeu que não haverá cobrança de pedágios para navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, alertando o Irã para permitir o tráfego comercial sem impedimentos.

“Se isso parar, então teremos um problema”, afirmou Rubio sobre a interrupção do fluxo comercial.

O Vice-Presidente JD Vance revelou que um mecanismo de “desescalada” foi estabelecido durante negociações em Burgenstock, Suíça. O IRGC e o Comando Central dos EUA (CENTCOM) planejam encontros em Doha, Catar, para criar um sistema voltado a evitar a escalada militar e implementar acordos sobre o Estreito de Ormuz e um cessar-fogo regional. Vance detalhou que a criação de um canal direto com o lado iraniano para redução de conflitos foi um objetivo alcançado, com representantes do IRGC e do CENTCOM se reunindo para resolver disputas.

Apesar de os EUA manterem o IRGC classificado como organização terrorista estrangeira, o CENTCOM se prepara para coordenação direta. Um canal de prevenção de conflitos para o Líbano, que excluiria Israel, também foi mencionado, com limitações às ações militares israelenses. Vance indicou que o Hezbollah participaria de conversas regionais, uma questão sensível para Israel, que se opõe a qualquer papel iraniano em arranjos pós-conflito devido ao apoio de Teerã ao Hezbollah. O Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu, contudo, reafirmou que Israel não enfrenta restrições no Líbano.

Como parte de um memorando de entendimento, os EUA suspenderam sanções sobre vendas de petróleo iraniano, permitindo que Teerã comercialize seu petróleo bruto em dólares pela primeira vez em décadas. A administração americana declarou que os fundos seriam utilizados nos EUA para beneficiar a economia americana. No entanto, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, negou essa versão, comentando que a única colheita do Irã seria a desconfiança gerada por décadas de políticas americanas.

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