Pais da Califórnia processam distrito escolar por aulas LGBT após decisão da Suprema Corte
Pais na Califórnia entraram com uma ação federal contra o Distrito Escolar de Sunnyvale, alegando que as autoridades se recusaram a permitir que seus filhos pequenos se abstivessem de instruções relacionadas a LGBT em sala de aula. A ação ocorre após uma recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre direitos parentais, que os pais citam como base para sua solicitação.
Justin e Rose Taylor, membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, moveram o processo na segunda-feira, argumentando que os alunos do ensino fundamental continuam sendo obrigados a participar de lições com temática LGBT. Segundo a queixa, isso ocorre sem aviso prévio aos pais ou oportunidade de opt-out (exclusão).
O cerne da disputa: direitos parentais e currículo escolar
O casal Taylor, pais de quatro filhos, incluindo um filho na terceira série e uma filha na primeira série na Cumberland Elementary School, solicitou em setembro de 2025 que o distrito os notificasse sobre o uso de materiais ou livros com temática LGBT. Eles também pediram permissão para que seus filhos fossem dispensados dessas aulas.
A solicitação dos Taylors foi baseada na decisão da Suprema Corte no caso Mahmoud, Tamer, et al. v. Taylor, Thomas W., et al.. Este julgamento determinou que as Escolas Públicas do Condado de Montgomery, em Maryland, não poderiam exigir que crianças fossem expostas a livros com temática LGBT sem respeitar as objeções de pais religiosos.
Segundo a ação, o currículo escolar “é claramente projetado para apresentar certos valores e crenças como coisas a serem celebradas e certos valores e crenças contrários como coisas a serem rejeitadas.”
A resposta do distrito e a escalada do conflito
De acordo com o processo, após meses de conversas cordiais, o Distrito de Sunnyvale teria revertido sua posição e negado o pedido dos Taylors para notificação e exclusão. Em uma carta, os oficiais do distrito teriam afirmado que a instrução LGBT “não é opcional e não está sujeita a disposições de exclusão dos pais”.
Os oficiais de Sunnyvale argumentaram que a decisão da Suprema Corte se aplicava a um caso específico em outro estado e não estabeleceu um “direito geral ou automático para os pais optarem por seus filhos fora do currículo obrigatório”. O distrito também manteve que a decisão “não anula os requisitos estatutários da Califórnia que regem o conteúdo instrucional”.
O pedido dos pais na justiça
Na ação judicial, os Taylors buscam que um tribunal federal impeça o distrito de aplicar sua política de uma maneira que, segundo eles, desafia a decisão da Suprema Corte. A queixa aponta para vários livros com temática LGBT listados como materiais instrucionais na escola primária das crianças, incluindo o livro ilustrado Pride Puppy.
Segundo o processo, o livro pede a crianças muito pequenas que identifiquem itens associados a um desfile de orgulho, incluindo “[drag] king” e “[drag] queen”, “couro”, “roupa íntima”, e uma imagem de Marsha P. Johnson, uma ativista LGBT e trabalhadora do sexo.
Os Taylors argumentam que os materiais são “inapropriados para a idade e inconsistentes com suas crenças religiosas, práticas e filosofias de criação de filhos”, e que exigir a participação de seus filhos mina sua capacidade de criá-los de acordo com sua fé.
