Paquistão: Cristãos são vítimas de rede de extorsão com falsas acusações de blasfêmia

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Paquistão registra rede criminosa que usa leis de blasfêmia para extorquir cristãos e minorias religiosas com acusações forjadas

Uma rede organizada no Paquistão tem se aproveitado das leis de blasfêmia para criar um esquema de extorsão que atinge principalmente minorias religiosas, com cristãos sendo um dos alvos mais vulneráveis. Agentes, inclusive da Agência Federal de Investigação, atuam como freelancers, utilizando seu poder policial para realizar prisões que funcionam como sequestros com o objetivo de extrair dinheiro das vítimas. Sob custódia desses agentes, o tratamento é descrito como brutal, e em alguns casos, abusos levaram à morte.

A vulnerabilidade das minorias religiosas no Paquistão diante dessas acusações é evidente. Quando um alvo pertence a uma comunidade minoritária, a violência pode se intensificar, forçando famílias a fugir e levando a ataques de multidões que destroem casas. A sensação de paranoia é palpável entre os cristãos paquistaneses, que expressam receio em discutir o assunto, temendo que suas palavras possam ser usadas para incriminá-los.

Perseguição online e armadilhas digitais

A maioria das acusações de blasfêmia na atualidade, segundo relatos, origina-se de atividades em redes sociais. Indivíduos mal-intencionados buscam ativamente induzir minorias online a cometerem atos que possam ser interpretados como blasfêmia, explorando qualquer brecha em postagens ou conversas. Um método comum envolve iniciar diálogos, ganhar confiança e direcionar a conversa para temas de fé, buscando frases que possam ser retiradas de contexto. Uma simples captura de tela pode se tornar a base para a extorsão.

Para forçar o pagamento, caso a vítima resista, entram em cena visitas de agentes e o vazamento de mensagens para empregadores, familiares e líderes religiosos locais. Em muitos casos, as vítimas são atraídas para grupos em plataformas como Facebook ou WhatsApp onde conteúdo considerado blasfemo é compartilhado. Perfis falsos femininos são frequentemente usados para convencer jovens a ingressar nesses grupos. Em algumas táticas, a vítima assume o status de administrador de um grupo “blasfemo” sem o seu conhecimento, tornando-se alvo fácil para a rede criminosa.

Expansão da rede e resistência oficial

A rede de negócios da blasfêmia, originada em Rawalpindi e Islamabad, já se espalhou por grande parte do Paquistão, estabelecendo conexões não apenas com autoridades, mas também com influentes estudiosos islâmicos. Multidões frequentemente cercam tribunais para pressionar juízes. Relatos indicam que muitos envolvidos nessas turbas agem por interesse financeiro, e não por convicção religiosa.

Nos últimos anos, muitos dos responsáveis por acusações e turbas ligadas à blasfêmia têm vínculos com o grupo radical Tehreek‑e‑Labbaik Pakistan (TLP). Apesar de sinais de reação interna, como um relatório de janeiro de 2024 expondo a rede, há forte resistência oficial para investigar o tema. Uma ordem judicial de julho de 2025 para criar uma comissão de apuração foi suspensa. O atual governo federal demonstra desejo de encerrar a prática, mas a pressão social é imensa, com os casos de blasfêmia em 2024 sendo quase 50 vezes maiores que em 2020, indicando que a blasfêmia se consolidou como um negócio lucrativo no país.

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