Educação Clássica Revive Métodos de Ensino dos Fundadores Americanos

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Educação clássica ressurge com foco em lógica, debate e a forma como os fundadores americanos aprendiam

A maneira como os estudantes aprendem nas escolas públicas americanas tem passado por transformações significativas. Métodos de ensino que remetem à época dos fundadores do país estão ganhando destaque com o ressurgimento da educação clássica.

Jim e Jensina Printz, pais de seis filhos, adotaram a educação clássica como método de homeschooling. Jim Printz relata que a capacidade de comunicação, a confiança e as habilidades de debate demonstradas por crianças que seguem essa abordagem foram decisivas. “Quando disseram que nossos fundadores aprenderam dessa forma. A razão pela qual eles podiam falar cinco línguas, eles escreveram a Declaração e a Constituição, eles foram capazes de fazer isso porque aprenderam latim, aprenderam lógica, aprenderam debate desde cedo”, explicou Jensina Printz.

A família Printz utiliza um currículo de homeschooling centrado em Deus, chamado Classical Conversations, criado há 30 anos por Leigh Bortins na Carolina do Norte. Atualmente, o programa atende estudantes em todos os 50 estados americanos e em 60 países.

“É realmente tentar formar um ser humano que vai amar a verdade, a beleza e a bondade.” – Robert Bortins, líder do Classical Conversations

O Classical Conversations reúne estudantes semanalmente para introdução de novos conteúdos. Os alunos retornam para casa para aprofundar o aprendizado com os pais como professores. A educação clássica é um método de ensino secular, com raízes na Grécia e Roma antigas, que visa desenvolver a mente, o caráter e a responsabilidade cívica do estudante.

O método se concentra no trivium, que abrange gramática, lógica e retórica, e no quadrivium, composto por matemática, geometria, música e astronomia. James Printz, aluno do 9º ano, destaca que o ensino vai além do conteúdo factual. “Não está nos ensinando o que aprender, mas está nos ensinando como aprender”, disse ele.

Rachel Printz, do 10º ano, complementa que o aprendizado oferece uma visão abrangente do mundo. “Eles aprendem a desenhar o mundo de memória. Todos os países, capitais. Muito legal”, acrescentou Janna Bowers, diretora do programa e mãe de alunos.

As crianças mais novas da família Printz demonstram o aprendizado de uma linha do tempo mundial através de canções. Joel Printz, aluno da 5ª série, explicou: “Eles têm todas as músicas e jingles para cada matéria, e para história, há esta aqui, é: ‘Em 1945, depois que a Liga das Nações…'” Seus irmãos mais novos, Paula (3ª série) e George (2º ano), continuaram a canção: “…falhou em prevenir a Segunda Guerra Mundial, o presidente americano Roosevelt, o primeiro-ministro britânico Churchill e o premier soviético Stalin, fundaram as Nações Unidas.”

Carla Yoder, mãe e diretora do Classical Conversations, ressalta a importância da música no aprendizado. “Como todos sabemos, algo que é colocado em música, fica em nossa cabeça, então a música é uma das maneiras de fazer com que a informação fique gravada em nossa memória de longo prazo”, explicou.

A educação clássica americana começou a declinar no final do século XIX, com a mudança de prioridades para a formação profissional. Atualmente, ela vive um ressurgimento, intensificado durante a pandemia de COVID-19, quando pais buscaram alternativas às escolas públicas.

Entre as escolas cristãs evangélicas nos EUA, 26% utilizam um currículo clássico, sem incluir programas de homeschooling. Kristin Beery, mãe e diretora de alunos do Classical Conversations, valoriza o foco em lógica e debate. “Eu só queria que meus filhos pudessem falar bem e pudessem manter conversas e argumentar bem, porque isso é muito importante na sociedade de hoje”, afirmou.

O Classical Conversations utiliza círculos socráticos, ou discussões estruturadas centradas no aluno, para auxiliar no desenvolvimento de argumentos e na sua defesa. Jensina Printz vê isso como um exemplo bíblico de “ferro afia ferro”. “Fomos criados para nos aprimorarmos mutuamente de forma honrosa, mas perdemos as ferramentas, e o clássico nos dá as ferramentas perdidas de aprendizado para voltar a ser como Deus nos criou”, disse.

“Nosso objetivo para nossos alunos é que eles cheguem a um ponto em que possam falar de forma agradável e persuasiva com os outros sobre coisas que são verdadeiras, boas e belas.” – Jenna Bowers

Outro aspecto importante é a leitura extensiva de livros. Franklin Printz, aluno do 8º ano, menciona a leitura de obras como as de C.S. Lewis. “Eu acabei de ler ‘O Hobbit’ e estou prestes a ler ‘As Cartas de um Diabo a seu Aprendiz'”, disse. Rachel Printz acrescenta: “Nós lemos como ‘O Chamado da Selva’ este ano.” Franklin Printz observa que a leitura aprimora a atenção, pois envolve ler, ouvir e estudar o material.

Na educação clássica cristã, Deus está no centro do aprendizado. “A maneira como aprendemos tudo é trazida de volta à Bíblia porque Ele está entrelaçado em tudo”, afirmou Franklin Printz.

Existe ainda o CLT, um teste padronizado nacional para admissão em universidades, baseado na educação clássica, aceito por mais de 300 instituições, ao lado do SAT e ACT.

“Bem, o maior deles é que é para a elite. É para todos.” – Robert Bortins

Robert Bortins desmistifica a ideia de que a educação clássica é restrita. “Nossos agricultores na fundação, sabe, eles liam Homero. Eles liam a Ilíada, liam Shakespeare. Eles teriam conversas profundas no pub sobre esses tipos de livros. Então, sabe, ao longo da história humana a educação clássica tem sido para todos, e acho que estamos voltando a essas raízes.

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