Pastor em Goiás é sentenciado a 17 anos de reclusão por estupro de vulnerável contra fiéis utilizando rituais religiosos
O pastor Gilvan Gonçalves dos Santos, de 55 anos, foi condenado a 17 anos de reclusão em regime inicialmente fechado pela 2ª Vara Criminal de Valparaíso, no estado de Goiás. A decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) o aponta como autor de estupro de vulnerável contra fiéis de sua congregação, utilizando rituais religiosos como pretexto para os abusos sexuais.
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Valparaíso de Goiás, apontaram que o líder religioso empregava manipulação psicológica e espiritual para aliciar as vítimas. Relatos constantes no processo judicial indicam que Gonçalves utilizava o chamado “óleo ungido” em rituais para justificar o contato físico indevido.
Vítimas declararam que o pastor alegava estar sob influência divina, dizendo estar “tomado por anjos” ou agindo sob inspiração para solicitar atos sexuais e enviar mensagens de cunho íntimo. Essas práticas teriam ocorrido de forma reiterada entre 2009 e 2015, quando as vítimas eram crianças ou adolescentes.
O caso ganhou notoriedade em julho de 2025, após a Polícia Civil de Goiás iniciar buscas pelo pastor devido à denúncia de abuso contra uma adolescente de 13 anos. Na época, as autoridades informaram que o suspeito enviava áudios e mensagens solicitando detalhes íntimos, aproveitando-se de sua posição de autoridade para intimidar e garantir o silêncio.
A sentença proferida pela Justiça de Goiás ressalta a gravidade da conduta, destacando que o réu usava a fé das vítimas como ferramenta de coerção. O uso do “óleo ungido” e a simulação de estados de transe espiritual foram classificados como meios para diminuir a resistência das vítimas e facilitar os abusos. O condenado permanece à disposição do sistema prisional, e a defesa ainda pode recorrer da decisão.
