China intensifica cerco a advogados de líderes da Igreja Sião com revogação de licenças e advertências preocupantes
Autoridades chinesas estariam aumentando a pressão sobre as equipes jurídicas que defendem os líderes detidos da Igreja Sião, sediada em Pequim. Essa escalada levanta novas preocupações sobre a liberdade religiosa e a justiça no país.
Um relatório publicado pelo The Wall Street Journal na sexta-feira indicou que a licença do advogado Zhang Kai, que atuava no caso, foi revogada. Outros advogados associados à defesa da igreja também teriam enfrentado medidas semelhantes, incluindo suspensões de licença e advertências verbais de oficiais.
Representantes da igreja condenaram as ações em uma carta, argumentando que o tratamento dispensado à equipe jurídica constitui uma violação da justiça e mina o estado de direito. Grace Jin, filha do pastor Ezra Jin, expressou preocupação com a pressão exercida sobre os advogados, que poderia limitar a capacidade da família de obter informações sobre o estado de saúde dele e preparar uma defesa eficaz.
O pastor Ezra Jin, fundador da proeminente igreja protestante clandestina, foi detido há cinco meses em meio a uma ampla repressão. Na ocasião, cerca de 30 outros líderes e membros da Igreja Sião foram presos ou declarados desaparecidos em várias cidades importantes, incluindo Pequim, Xangai e Shenzhen. Dezoito indivíduos, incluindo Jin, estariam detidos em um centro de reclusão em Beihai, conforme o jornal americano.
Desde sua detenção em outubro de 2025, a família perdeu contato com o pastor e não há clareza sobre a apresentação de acusações formais. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, manifestou-se publicamente em favor da libertação de Jin, posição ecoada por diversos membros do Congresso americano.
Jin, de 56 anos, fundou a Igreja Sião em 2007 após estudar no Fuller Theological Seminary, na Califórnia. Sua conversão ocorreu após sua participação nos protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, tornando-o uma figura central no movimento das igrejas clandestinas na China.
A Igreja Sião cresceu para se tornar uma das maiores congregações protestantes clandestinas na China, mas enfrentou crescente pressão governamental. Após o fechamento de seu santuário em Pequim em 2018, a igreja passou a realizar serviços online e reuniões menores em todo o país, alcançando até 10.000 participantes em plataformas digitais.
Apesar de a Constituição chinesa garantir formalmente a liberdade religiosa, o governo reconhece apenas organizações sancionadas pelo estado. Milhões de cristãos na China continuam a frequentar igrejas clandestinas não registradas, que frequentemente sofrem assédio das autoridades. Alguns grupos religiosos independentes foram rotulados como cultos, e os cidadãos são incentivados a denunciá-los.
