Ted Cruz alerta para avanço do antissemitismo dentro do partido e critica atuação de Tucker Carlson
O senador americano Ted Cruz manifestou profunda preocupação com o aumento do antissemitismo observado no espectro político da direita nos Estados Unidos. Em entrevista à CBN News, Cruz detalhou os riscos dessa tendência e apontou para a atuação do jornalista Tucker Carlson, afirmando que ele tem direcionado ataques a cristãos evangélicos com posições pró-Israel.
Cruz descreveu a situação como perigosa, alertando para o risco de que o antissemitismo possa consumir o Partido Republicano. Ele fez um paralelo com erros passados de líderes democratas, que teriam optado pelo silêncio diante de questões semelhantes. O senador enfatizou a necessidade de clareza e posicionamento, comparando o momento atual a um “momento de escolha”, como no famoso discurso de Ronald Reagan em 1964.
O parlamentar citou declarações atribuídas a Tucker Carlson, nas quais o jornalista teria afirmado odiar mais do que ninguém no planeta os “cristãos sionistas”, mencionando especificamente o próprio Ted Cruz e Mike Huckabee. Cruz interpretou esses ataques como direcionados a ele por sua fé cristã e por seu apoio ao sionismo.
“O alvo desta operação é você e eu. São os cristãos evangélicos. Tucker Carlson disse que não há ninguém que ele odeie mais na Terra do que os cristãos sionistas e ele me cita especificamente e Mike Huckabee.”
Adicionalmente, Cruz criticou a ascensão da “teologia da substituição”, uma crença defendida por alguns setores da extrema-direita que postula que a igreja substituiu o povo judeu como povo escolhido por Deus. Para o senador, essa visão é equivocada e sugere que, se Deus quebrar promessas feitas a Israel, poderia fazer o mesmo com os cristãos.
A expressão “Cristo é Rei”, que tem ganhado popularidade em debates políticos online, também foi alvo de análise por Cruz. Ele apontou que a frase é frequentemente utilizada de forma antissemita, funcionando como um código para expressar ódio aos judeus em determinados contextos.
“É usado online de uma forma que significa ‘vá se ferrar, judeu’. É usado em um contexto para dizer diretamente ‘eu odeio judeus’ e isso é quase uma palavra de código online. ‘Cristo é Rei’ é ‘eu odeio os judeus’.”
O senador ressaltou que essas ideias têm se infiltrado em partes da igreja, tornando crucial que pastores e líderes cristãos abordem o tema, especialmente com os mais jovens. Dirigindo-se diretamente a jovens cristãos, Cruz defendeu a existência de Israel e o sionismo, lembrando a criação do Estado moderno após o Holocausto e o lema “Nunca Mais”, para evitar genocídios.
Cruz também comentou sobre a situação militar no Oriente Médio, descartando preocupações sobre a possibilidade de o Presidente Trump enviar tropas terrestres para um conflito prolongado no Irã. Ele diferenciou o conflito iraniano do iraquiano, indicando que não haveria uma ocupação de longa duração, mas admitiu a possibilidade de envolvimento terrestre limitado para missões específicas.
Sobre o futuro do Irã, o senador acredita que o povo iraniano deve decidir quem os liderará, mas seu interesse é a ausência de um governo hostil aos Estados Unidos. Ele vislumbrou que um Irã com um governo secular e amigo da América seria benéfico para ambos os países.
Em relação à capacidade de Israel em conflitos, Cruz afirmou que o país possui capacidade militar para derrotar o Irã, mesmo sem envolvimento americano, citando a “Guerra dos 12 Dias” como exemplo da capacidade israelense, destacando também a eficiência do Mossad.
