Radicais islâmicos promovem onda de terror no norte de Moçambique com ataques a cristãos e destruição de templos
Uma nova onda de violência atribuída a militantes islâmicos assola a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Os ataques resultaram na morte de pelo menos nove cristãos e na destruição de igrejas e residências em diversas comunidades. As ações armadas se concentraram no distrito de Ancuabe, uma área que tem sido palco frequente de confrontos desde o início da insurgência no país.
Segundo informações da Barnabas Aid, cinco cristãos foram mortos na aldeia de Namecala em 9 de maio. Na mesma ocasião, a igreja local e mais de 160 casas foram incendiadas. A entidade religiosa também relatou a decapitação de dois cristãos nas proximidades de Namecala em 8 de maio, e de outro fiel perto da aldeia de Nanoni no dia anterior. Comunidades vizinhas também registraram ataques com a destruição de moradias e locais de culto.
O bispo António Juliasse Ferreira Sandramo descreveu a situação como “uma cena de verdadeiro terror” e destacou que templos na região sofrem investidas constantes há quase nove anos. No início de maio, a histórica Igreja de São Luís de Montfort, na vila de Meza, foi atacada. O Vatican News informou que o templo, uma residência missionária e um jardim de infância administrado pela Igreja Católica foram destruídos.
A insurgência em Cabo Delgado, que começou em outubro de 2017 com ataques a delegacias em Mocímboa da Praia, tem o Estado Islâmico Moçambique como um dos grupos atuantes. Essa escalada de violência já resultou em milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados, com táticas que incluem decapitações e destruição de infraestruturas.
Especialistas em segurança apontam fatores como pobreza, desemprego juvenil e fragilidade estatal como contribuintes para o avanço da insurgência. Apesar de ações militares regionais e da retomada de cidades importantes, os ataques persistem em áreas rurais, com comunidades cristãs frequentemente sendo alvos de incêndios e assassinatos. Agências humanitárias estimam que o conflito já deslocou mais de 1 milhão de pessoas, e líderes locais pedem apoio internacional.
“Pedimos atenção e solidariedade”, declarou o bispo Sandramo. “A fé dessas pessoas jamais será destruída”.
