Celia Parnes aborda crescimento da intolerância, legado de Israel e pontes de diálogo com evangélicos
A crescente normalização de discursos de ódio e a velocidade com que a desinformação se espalha, especialmente entre os jovens, são as maiores preocupações atuais para a comunidade judaica, segundo Celia Parnes, presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo. Ela ressaltou que o antissemitismo frequentemente se disfarça em debates políticos e ataques injustos nas redes sociais.
Em entrevista, Parnes, que também é secretária-geral da CONIB, destacou que o aumento do preconceito contra judeus reflete um problema social mais amplo, com mais radicalização e menos diálogo. A liderança judaica também expressou preocupação com a relativização e justificativa de atos terroristas, como os ocorridos em 7 de outubro de 2023, que geraram insegurança e isolamento em parte da comunidade.
A presidente da Federação, que em 2026 celebrará os 80 anos da instituição, abordou o significado histórico e espiritual do Estado de Israel para o povo judeu. Ela descreveu a nação como um símbolo de reconstrução e esperança após séculos de perseguições, enfatizando a conexão espiritual e o fato de sua criação ocorrer poucos anos após a tragédia do Holocausto.
Sobre a importância da educação e da memória da Shoá, Parnes enfatizou que o Holocausto serve como um alerta sobre os perigos da intolerância e desumanização. “Ensinar as novas gerações sobre essa história é uma forma de proteger o futuro. Memória não é apenas olhar para trás. É impedir que os mesmos erros se repitam”, afirmou.
O diálogo entre judeus e evangélicos foi destacado como um fator crucial para a construção de uma sociedade mais humana e tolerante. Parnes apontou valores compartilhados, como a defesa da vida, da família e da liberdade religiosa, além de uma ligação espiritual através da Bíblia. “Quando diferentes comunidades conseguem caminhar juntas com respeito e empatia, toda a sociedade ganha”, disse.
Em sua mensagem ao público evangélico, Parnes manifestou gratidão pelo apoio e parceria, e reforçou a necessidade de pessoas de fé se unirem na defesa da dignidade humana, da liberdade religiosa e da paz em um cenário global de intolerância e divisão.
