3 em cada 5 fiéis preocupados com o impacto da IA no cristianismo, aponta estudo

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Maioria dos cristãos protestantes demonstra apreensão com a inteligência artificial

Uma pesquisa recente indica que a maioria dos frequentadores de igrejas protestantes nos Estados Unidos sente-se apreensiva com a influência da inteligência artificial (IA) em sua fé. Aproximadamente 61% dos participantes assíduos de cultos protestantes afirmam estar preocupados com o papel da IA no cristianismo. Esse índice é ainda maior entre os evangélicos, atingindo 67%, em comparação com 55% dos não evangélicos.

As descobertas são fruto de duas pesquisas distintas realizadas em setembro de 2025. Uma delas envolveu 1.003 pastores protestantes por telefone, enquanto a outra contou com a participação online de 1.200 fiéis protestantes. O estudo busca entender a percepção da comunidade religiosa sobre o avanço tecnológico e suas implicações teológicas e práticas.

Divisão de opiniões sobre o uso da IA na preparação de sermões

As opiniões se mostraram divididas quando o assunto foi a utilização da IA por pastores para auxiliar na preparação de sermões. Quase metade dos fiéis (44%) expressou aprovação para o uso da tecnologia, enquanto 43% se manifestaram contra. Um grupo significativo, correspondente a quase um quarto dos entrevistados, discordou fortemente dessa aplicação, e 13% permaneceram indecisos.

Interessantemente, aqueles que frequentam a igreja com menor regularidade (48%) demonstraram maior abertura ao uso da IA na pregação do que os frequentadores semanais (42%). Da mesma forma, respondentes não evangélicos (49%) aceitaram a ideia mais prontamente do que seus pares evangélicos (40%).

Variações de preocupação por denominação e demografia

As preocupações em relação à IA variaram entre as denominações. Fiéis das igrejas Presbiteriana e Reformada relataram os níveis mais altos de apreensão, com 64% expressando preocupação. Batistas seguiram de perto com 62%, enquanto Metodistas mostraram-se comparativamente menos preocupados, com 48%.

Diferenças demográficas também foram observadas. Homens (31%) foram ligeiramente mais propensos que mulheres (25%) a não reportar preocupações com a influência da IA. Indivíduos que frequentam os cultos uma a três vezes por mês (31%) tenderam a se sentir mais confortáveis com a tecnologia do que os frequentadores semanais (26%).

Sermões sobre IA dividem opiniões e revelam receptividade entre jovens

Quando questionados sobre um sermão que aplicasse princípios bíblicos à inteligência artificial, as respostas também foram divididas. Cerca de 42% expressaram apoio, enquanto 43% se opuseram, com 25% discordando veementemente. No entanto, fiéis mais jovens mostraram-se mais receptivos a tais temas.

Entre os pastores protestantes, 10% identificaram-se como usuários regulares de IA. Outros 32% afirmaram estar experimentando a tecnologia, e 18% adotaram uma postura de “esperar para ver”. Uma parcela similar (18%) declarou estar evitando ativamente a IA, enquanto 20% indicaram estar ignorando-a completamente.

Pastores e a adoção de IA: tamanho da congregação e preocupações

Congregações maiores foram mais propensas a ter pastores que estão experimentando ativamente (43%) ou usando regularmente (15%) a IA, sugerindo que o tamanho da igreja pode influenciar as tendências de adoção.

Os pastores destacaram diversas preocupações cruciais sobre a IA:

  • Risco de imprecisões em conteúdo gerado (84%)
  • Dificuldades na verificação de fontes (81%)
  • Potencial para viés em sistemas de IA (76%)
  • Falta de transparência sobre o uso da IA (62%)
  • Possível plágio (59%)
  • Considerações teológicas, com 55% afirmando que Deus sempre se comunicou através de seres humanos e que a IA não é uma pessoa.

Diferenças teológicas e resistência denominacional

Diferenças também surgiram entre clérigos evangélicos e mainline. Evangélicos foram mais propensos a levantar preocupações teológicas (58% contra 51%), enquanto pastores mainline focaram mais em questões como plágio (65% contra 56%).

A resistência à IA foi particularmente forte entre pastores Luteranos e Batistas, muitos dos quais relataram ignorar a tecnologia (22% cada) ou evitá-la intencionalmente (24% e 20%, respectivamente). Pastores da Santidade (Holiness) foram mais inclinados a experimentar (43%) ou usar regularmente (18%) a IA.

Receptividade por faixa etária em temas de IA

A idade também desempenhou um papel. Cerca de 50% dos entrevistados entre 18 e 29 anos e 53% dos que têm entre 30 e 49 anos consideraram sermões sobre IA como valiosos. Em contraste, apenas 38% na faixa de 50 a 64 anos e 33% com 65 anos ou mais compartilharam dessa opinião.

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