Novo levantamento revela falhas no ensino e na memória, com 21,6% dos brasileiros nunca tendo ouvido falar do Holocausto, e apenas metade definindo corretamente o crime nazista
Uma pesquisa nacional mostra que o conhecimento sobre o Holocausto entre a população brasileira é desigual, com números que apontam fragilidade nas informações básicas sobre o tema.
O estudo mapeia quem sabe, quem não sabe, de onde as pessoas obtêm informação e como fatores como escolaridade, renda e região influenciam a compreensão do Holocausto.
Os dados foram divulgados pelos organizadores do levantamento, Confederação Israelita do Brasil, Memorial do Holocausto de São Paulo, Museu do Holocausto de Curitiba e StandWithUs, e a pesquisa foi conduzida pelo Grupo ISPO, conforme informação divulgada pela Confederação Israelita do Brasil, pelo Memorial do Holocausto de São Paulo, pelo Museu do Holocausto de Curitiba e pela StandWithUs, e conduzida pelo Grupo ISPO.
Metodologia e perfil da amostra
Foram um total de 7.762 entrevistas, com uma margem de erro de 4,7% e intervalo de confiança de 95%. A abrangência foi de 11 regiões metropolitanas brasileiras, em duas etapas, piloto na Região Sul, em abril de 2025, e etapa nacional entre setembro e outubro de 2025.
As entrevistas foram presenciais, realizadas em pontos de fluxo, estações de transporte e centros comerciais, com controle por cota sociodemográfica. O perfil predominante foi de 54,2% mulheres, 31,4% jovens de 18 a 29 anos, 51,8% com ensino médio, 54,4% com renda familiar de até dois salários-mínimos.
O que a população sabe, e o que desconhece sobre o Holocausto
Na pergunta, “Já ouviu falar do Holocausto?”, as respostas foram, Sim, tenho pleno conhecimento, 30,6%, Sim, meu conhecimento é superficial, 28,70%, Nunca ouvi falar, 21,60%, Não tenho certeza se ouvi falar, 9,10%.
Quando foi solicitada a definição, “Qual é a definição de Holocausto?”, apenas Extermínio de 6 milhões de judeus, 53,20% indicaram a resposta correta. Não sei dizer, 31,10%, Conflito militar com 50 milhões de vítimas, 9,00%, Movimento cultural, 3,80%, Episódio isolado de violência não comprovada, 2,90%.
O conhecimento sobre detalhes específicos é ainda mais frágil, apenas 38,5% identificaram corretamente Auschwitz-Birkenau como um campo de extermínio, enquanto 51,6% declararam não saber responder, conforme os dados da pesquisa.
Fontes de informação e consumo de mídia
Quanto às fontes de informação sobre o Holocausto, Na escola, 30,90% dos entrevistados citam esse canal, Em filmes ou livros, 18,60%, Não respondeu, 18,00%, Não sei dizer, Não lembro, 14,30%, Na internet, Redes Sociais, 12,50%, Familiares e, ou, amigos, 3,90%, Museus ou afins, 1,70%.
Na etapa nacional, a pesquisa também perguntou sobre a mídia social mais consumida, com Instagram, 44,20%, Whatsapp, 30,80%, Facebook, 6,30%, TikTok, 5,90%, Youtube, 5,40%, Nenhuma, Não sei dizer, 4,90%, Outras, 2,50%.
Os números indicam que a escola permanece como principal canal formal de ensino sobre o Holocausto, mas mídias digitais e produções culturais têm papel relevante na formação de percepções, o que exige atenção às fontes e à qualidade das informações.
Implicações e caminhos para ampliar o conhecimento
O levantamento aponta necessidade de reforçar políticas educativas, formação de professores e ações em museus e centros de memória para ampliar a compreensão sobre o Holocausto. A fragilidade na identificação de campos de extermínio e a presença de respostas erradas, como Conflito militar com 50 milhões de vítimas, 9,00%, revelam desinformação que pode favorecer banalizações e narrativas distorcidas.
Entre as recomendações, especialistas e instituições envolvidas destacam a importância de programas contínuos nas escolas, produção de conteúdo confiável nas redes sociais e iniciativa de memória pública, para que o Holocausto seja entendido como crime de genocídio, e para que a memória das vítimas seja preservada com precisão histórica.
Os dados detalhados, incluindo distribuição por idade, escolaridade e região, apontam caminhos para intervenções mais direcionadas, especialmente entre jovens e em áreas com maior índice de desconhecimento sobre o Holocausto.


