O teólogo presbiteriano Caio Modesto recebeu uma intimação para prestar depoimento presencial à Polícia Federal, em investigação sobre supostos crimes de homofobia e racismo, após publicar um vídeo em suas redes sociais onde expõe sua visão bíblica sobre o casamento.
No vídeo, Caio afirma sua convicção religiosa a partir do ensino das Escrituras Sagradas e defende seu direito à liberdade de expressão e à liberdade religiosa, ao mesmo tempo em que nega intenção discriminatória.
A intimação provocou ampla repercussão entre cristãos que se mobilizaram em oração e manifestações de apoio ao teólogo, conforme informação divulgada nas redes sociais do próprio teólogo e nas comunicações públicas sobre o caso.
O que motivou a intimação da Polícia Federal
A notificação da Polícia Federal foi expedida depois de uma denúncia relacionada a uma fala feita por Caio em contexto religioso e teológico. Segundo o conteúdo divulgado, a PF solicitou depoimento presencial para apurar possíveis crimes decorrentes do vídeo compartilhado por ele.
No material citado como base da investigação, o teólogo declara, textualmente, “O matrimônio bíblico é somente entre um homem e uma mulher, o que passar disso é obra do inimigo”, posicionamento que motivou questionamentos sobre a natureza da fala e seu enquadramento legal.
Defesa do teólogo e discurso público
Caio tem se defendido afirmando que sua manifestação é uma exposição doutrinária de natureza religiosa e teológica, exercida no âmbito da liberdade religiosa e de expressão. Em nota, ele disse, na íntegra, “Tal declaração não decorre de ódio, hostilidade ou intenção de discriminar qualquer pessoa ou grupo, mas da exposição de um entendimento doutrinário, próprio da tradição cristã, exercido no âmbito da liberdade religiosa e da liberdade de expressão”.
Ele também afirmou, citando as Escrituras, que em seu discurso não houve incitação à violência ou à negação da dignidade humana. Em suas palavras, “Em nenhum momento houve incitação à violência, à exclusão social ou à negação da dignidade humana, a qual reconheço e respeito em todas as pessoas, independentemente de suas escolhas pessoais”.
Reações, apoio e alertas de líderes
Após a intimação, milhares de cristãos se mobilizaram em oração e mensagens de apoio. Caio declarou estar confortado pelas manifestações, agradecendo publicamente pelas contribuições e orações e citou passagens bíblicas ao agradecer, entre elas “se um membro sofre, todos sofrem com ele” (1Co 12:26) e “suprindo todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fp 4:19).
O advogado cristão Benoni Mendes alertou para o que chamou de início de perseguição religiosa, ao afirmar, textualmente, “A perseguição já começou. Para quem pensava que era no futuro, já é agora. Então, você cristão, seja católico ou portestante, saiba que a polícia federal pode bater à porta do seu pastor, do seu padre, à sua porta, simplesmente por você explicar, defender a sua fé, o que está escrito no seu Livro Sagrado”. Ele pediu apoio a Caio e disse que o inquérito poderia, segundo ele, terminar em prisão.
Implicações legais e liberdade religiosa
Especialistas ouvidos em casos semelhantes lembram que a investigação precisa avaliar se houve discurso de ódio ou crime previsto em lei, ou se a manifestação fica protegida pelo direito à liberdade religiosa e de expressão. A intimação da Polícia Federal não equivale a condenação, ela inicia a apuração dos fatos.
Caio também fundamentou sua visão citando a passagem de Romanos 1, dizendo que o apóstolo Paulo ensina que a rejeição da ordem criada por Deus é fruto do afastamento da verdade revelada, e não uma redefinição legítima, conforme trechos citados por ele no vídeo.
O caso segue em investigação pela Polícia Federal, com o depoimento presencial agendado, e promete manter o debate público aceso sobre religião, liberdade de expressão e os limites legais de manifestações de fé nas redes sociais.
