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Cristãos sofrem humilhações em Maharashtra, Índia

Quando quatro cristãos tribais na vila Toranpada, Estado de Maharashtra, pediram ajuda depois de um ataque de extremistas hindus no mês passado, a polícia respondeu humilhando e chutando as vítimas e, depois, apresentando queixa contra elas.

Membros do Comitê para o Bem-Estar Tribal espancaram Baburao Mahala, 32, Anil Chaudhry, 23, e um casal identificado somente como Kalpana, 20, e seu marido Sunil, 24 por terem se convertido ao cristianismo, em 8 de junho.

Os quatro apresentaram queixa na delegacia de polícia imediatamente depois do ataque. Quando voltaram em 15 de junho para perguntar que medida havia sido tomada, um policial lhes disse: “Peça que Jesus ligue para o meu celular”.

Três policiais pediram uma demonstração de oração. Quando os cristãos se ajoelharam, os policias os chutaram e humilharam. Os policiais então apresentaram queixa contra eles por violação da ordem pública.

Abraham Mathai, um membro da Comissão para Minorias do Estado de Maharashtra e líder do Conselho Geral dos Cristãos da Índia, acompanhou os quatro ao escritório do diretor geral da polícia em 20 de junho para protestar contra o comportamento dos policiais.

“Eles importunaram os cristãos ao invés de lhes assegurar que os agressores seriam pegos e fichados”, disse Abraham.

O diretor geral da polícia ordenou que um inquérito fosse aberto, mas os policias na delegacia negaram qualquer procedimento errado.

Em outro local do Estado de Maharashtra, uma escola pública na vila de Sagar, distrito de Nashik negou a matrícula de crianças de famílias cristãs, de acordo com Abraham.

“O governo do estado diz que a educação primária é para todos, mas como os filhos dos cristãos podem se beneficiar deste esquema se sua matrícula é negada?” perguntou Abraham.

O governo de Maharashtra é dirigido por uma coalizão do Partido Nacionalista do Congresso e do Partido do Congresso. Há 96,8 milhões de pessoas no Estado, pouco mais de 1 milhão são cristãos.

Freiras acusadas

A polícia do Estado de Andhra Pradesh, sul do país, prendeu quatro freiras da organização Missionárias da Caridade em 25 de junho. As freiras foram acusadas de tentativa de conversão depois visitarem um hospital público em Tirupati, um popular centro de peregrinação hindu.

Um grupo de 50 pessoas do Hindu Dharma Parirakshana Samithi (HDPS ou Fórum de Proteção do Hinduísmo) se aproximou das freiras na tarde de 25 de junho e as acusaram de tentar converter pacientes, de acordo com uma reportagem da agência de notícias UCA News (UCAN). Alguns do grupo carregavam câmeras de vídeo.

Rapidamente, o número de pessoas do grupo aumentou para 300. Quando a polícia chegou, ela deteve as freiras no hospital até as 20h30, quando elas foram levadas para a delegacia e mantidas lá por duas horas.

A irmã Rosária, líder regional das missionárias católicas, disse a UCAN que as freiras visitavam o hospital regularmente há 20 anos e freqüentemente levavam medicamentos para os pacientes pobres.

A Associação Católica de Hyderabad expressou seu choque com o incidente e pediu uma ação imediata contra os membros do HDPS e a polícia.

Fonte: Portas Abertas

Bartolomeu I, patriarca ortodoxo, em missão amazônica

Bartolomeu INo dia 13 de julho, dezenas de cientistas, teólogos, líderes religiosos e ambientalistas, altos funcionários de organismos internacionais, representantes do governo brasileiro, sertanistas, chefes indígenas e jornalistas dos mais influentes órgãos da imprensa ocidental chegarão a Manaus para participar de um evento único neste quarto de século em que a preservação da floresta tornou-se preocupação planetária. Bartolomeu I, patriarca de Constantinopla, é o incentivador de evento inédito sobre religião, ciência e ambiente

Alguns dos convidados virão de lugares distantes, como Irã, Azerbaijão e Noruega.

Embarcados no navio Iberostar e numa flotilha auxiliar, ou voando em aviões charter, durante seis dias eles visitarão zonas de desmatamento, áreas de conflito e reservas ecológicas, conversarão com representantes de comunidades locais e verão o encontro das águas e as belezas da paisagem tropical. Nos longos deslocamentos pelo rio, ouvirão palestras e participarão de debates em cinco reuniões plenárias de um simpósio sobre religião, ciência e meio ambiente intitulado Amazonas, Fonte de Vida.

Tão inédita quanto a iniciativa será a presença no Brasil de seu inspirador e principal animador: Sua Santidade Ecumênica Bartolomeu I (foto), o patriarca de Constantinopla e líder espiritual de 250 milhões de cristãos ortodoxos gregos espalhados pelo mundo.

Dono de um vozeirão que o faz parecer mais alto do que na verdade é, Bartolomeu irradia autoridade e simpatia nas audiências públicas no Phanar, o nome do antigo bairro grego de Istambul que hoje identifica o enclave que abriga o palacete de madeira onde o patriarca vive e trabalha, uma escola para os filhos da minoria grega (hoje reduzida a cerca de 3 mil pessoas), e a pequena catedral ortodoxa de São Jorge, com seus ícones e o altar dourado. Trata-se de um dos poucos templos que restaram do esplendor do cristianismo na antiga Bizâncio.

Dimitrios Arhondonis nasceu em 1940, na ilha de Imvros, na Turquia. Na década de 60, durante o Concílio Vaticano II, viveu em Roma, onde doutorou-se em Teologia pelo Instituto Pontifício Oriental da Universidade Gregoriana. O fato de ter cidadania turca contribuiu para sua elevação ao patriarcado em 1991, quando tinha apenas 51 anos: esta é uma das condições impostas pelas autoridades de Ancara, depois da guerra entre a Turquia e a Grécia, entre 1919 e 1922, para a permanência em Istambul do líder máximo dos gregos ortodoxos.

Plataforma ecológica

Foi graças ao apoio de fundações financiadas pelos membros da Igreja Ortodoxa em todo o mundo que Bartolomeu transformou a defesa do meio ambiente na plataforma a partir da qual ganhou espaço na cena internacional e afirmou a presença de sua igreja, seguindo um caminho parecido ao que seu amigo João Paulo II abriu ao tornar-se o primeiro papa superstar.

A escolha do tema, iniciada por seu antecessor, o patriarca Demétrio, veio naturalmente, como ele explicou em uma rara entrevista, que concedeu ao Estado no sábado retrasado. Em seu gabinete de móveis clássicos, mas sem pompa, ele trabalha atrás de uma mesa forrada de documentos, sob o olhar de uma imagem da Virgem Maria e a reverente atenção de uma dúzia de diáconos, padres e outros prelados que formam sua corte. “Se amamos o Criador, é nosso dever proteger sua criação”, disse ele.

O foco na proteção dos rios e dos mares adotado por Bartolomeu resultou do exame da Bíblia. “A água é um elemento sagrado, é fonte da vida.” Embora mantenha-se oficialmente longe da política, até porque o governo turco nega a existência do patriarcado ou da Igreja Ortodoxa como entidade jurídica, a utilidade prática do assunto parece óbvia: trata-se de um dos poucos temas de política pública que não geram atritos entre o patriarcado e Ancara e entre turcos e gregos.

Desde praticamente o início de seu patriarcado, Bartolomeu realiza seminários ecológicos durante o verão no antigo Mosteiro da Santíssima Trindade, na ilha de Halki, onde funcionou um instituto teológico fechado pelo governo turco há 35 anos. Nos anos 90, com a assistência de um dos cardeais da Igreja Ortodoxa, o metropolitano John de Pergamon, um teólogo e estudioso da ecologia, o patriarca lançou uma iniciativa que busca na religião, na ciência e na ecologia orientações e respostas para a preservação ambiental.

Organizado sob o co-patrocínio do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o simpósio da Amazônia será o sexto da série e o primeiro fora da Europa, depois dos realizados nos Mares Egeu (1995), Negro (1997), Adriático (2002), Báltico (2003) e no Rio Danúbio (1999).

Processo de reaproximação

A iniciativa, que já rendeu a Bartolomeu o apelido de Patriarca Verde, tornou-se parte do complexo e tortuoso processo de reaproximação da Igreja Ortodoxa com a Igreja Católica, separadas há mais de 1.500 anos. Em 2002, durante o simpósio no Adriático, João Paulo II e Bartolomeu I assinaram uma declaração conjunta sobre ética ambiental. No ano passado, em apoio a uma outra iniciativa do patriarca, a conferência episcopal da Itália adotou o dia 1º de setembro como um dia de orações pela preservação ambiental.

O papa Bento XVI, que visitará Bartolomeu no dia 30 de novembro para celebrar o Dia de Santo André – o apóstolo fundador da igreja cristã de Bizâncio e o mais venerado pelos ortodoxos -, escalou o cardeal Roger Etchegaray, presidente emérito da Comissão de Justiça e Paz do Vaticano, para representá-lo. O patriarca espera que o cardeal traga uma mensagem do papa sobre a preservação da Amazônia.

Ciente da influência da Teologia da Libertação em setores da igreja na região de conflito na Amazônia, o papa, que combateu sistematicamente esse tipo de militância em seus tempos de cardeal do Santo Ofício, contará com a atenta presença do cardeal d. Geraldo Majella Agnelo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que acompanhará o líder da Igreja Ortodoxa, do começo ao fim, em sua histórica peregrinação ecológica pelo maior país católico do mundo.

O ponto alto do evento será uma cerimônia ecumênica de bênção das águas do Amazonas, no dia 16. Esperado para o encerramento do simpósio, em Manaus, no dia 20, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não confirmou presença.

‘Se amamos o Criador, devemos amar a criação’

Patriarca fala sobre lado espiritual da ecologia e
reconhece dificuldades do diálogo de reconciliação com a Igreja Católica

Pelos cálculos do arcebispo metropolitano da igreja ortodoxa grega de Buenos Aires, monsenhor Tarasios, que responde por toda a América do Sul, há entre 20 mil e 50 mil cristãos ortodoxos no Brasil. Segundo o site www.ortodoxiabrasil.com, eles se concentram em 12 Estados e no Distrito Federal. Há uma dúzia de paróquias na cidade de São Paulo e outro tanto no interior do Estado.

Apesar da escassez de seu rebanho no Brasil, Bartolomeu I, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, possui laços de família com o País. Três de seus primos, filhos de um irmão de seu pai, vivem em São Paulo – e dois deles o encontrarão pela primeira vez durante a visita que fará ao Amazonas, no mês que vem.
Não será a primeira viagem de Bartolomeu I para a América Latina. Suas andanças pelo mundo já o levaram a Cuba e ao México. Abaixo, trechos da entrevista que concedeu ao Estado:

Por que seu interesse pela Amazônia?

Sabemos que há uma preocupação mundial com a Amazônia. Queremos conhecer e aprender. E queremos oferecer nossa perspectiva e contribuir para o diálogo que leve à solução dos problemas. O simpósio em si não trará nenhuma solução. Mas acreditamos que a participação de especialistas de diferentes disciplinas e países, bem como de formuladores de políticas, facilitará o entendimento, pois trará ao debate as dimensões científica e espiritual da ecologia.

O que o senhor espera alcançar com o simpósio?

Nosso objetivo não é resolver todos os problemas ecológicos, mas sensibilizar as pessoas, criar consciência ecológica. É obrigação sagrada da igreja proteger a criação, de acordo com a vontade do Criador. Essa é a razão, em última análise, pela qual o Patriarcado Ecumênico decidiu abraçar esse trabalho. Achamos que é nosso dever. Atuamos em colaboração com a Igreja Católica, que é a maior das denominações cristãs, o que aumenta a eficácia dos nossos esforços e seu impacto junto aos fiéis. Se dizemos que respeitamos e amamos o Criador, temos então que respeitar e amar sua criação.

O Brasil é o país que tem o maior número de católicos batizados. A reconciliação das Igrejas Católica e Ortodoxa acontecerá um dia?

Será um longo caminho. Temos um fosso criado por uma separação de nove séculos e meio. Iniciamos um diálogo há quase 50 anos, quando o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras tiveram um encontro histórico na cidade de Jerusalém, ao final do Concílio Vaticano II. Levantaram-se as excomunhões mútuas que as igrejas haviam decretado. O diálogo teológico começou depois da visita do papa João Paulo II ao Patriarcado, em 1979. No entanto, a comissão mista formada para estudar os pontos de diferenciação dos dois sistemas, com o objetivo de chegar a um consenso, entrou em crise depois de 20 anos de trabalho.

Por quê?

O problema gira em torno das igrejas ortodoxas do movimento uniata, que seguem Roma. Elas mantêm os paramentos e ritos litúrgicos das igrejas orientais mas estão unidas a Roma. Os ortodoxos acreditam que os chamados ritos orientais foram uma invenção de Roma para fazer proselitismo junto aos cristãos do leste. Os nossos irmãos católicos romanos dizem aos ortodoxos que não são teologicamente educados, que não há diferença substancial entre as igrejas, que a diferença está só nas roupas, e que se trata apenas de mencionar o nome do papa de Roma na liturgia, porque somos todos o mesmo povo.

E não é assim?

O entendimento ortodoxo é que esse não é um argumento honesto e sincero. Depois do colapso do comunismo, várias das igrejas uniatas que seguem Roma passaram a desfrutar de mais liberdade e assumiram atitudes agressivas em relação aos ortodoxos. Houve uma reação forte e o diálogo parou. Em setembro passado convoquei os representantes de todas as igrejas ortodoxas e propus a retomada do diálogo, que foi aceita. Roma também concordou. Em setembro próximo haverá, em Belgrado, a primeira reunião plenária da comissão de 30 teólogos ortodoxos e 30 teólogos católicos. O tema será a estrutura da igreja.

Qual é a maior diferença?

É a posição hierárquica do bispo de Roma na estrutura geral da igreja cristã e isso nos leva ao principal obstáculo em nossas deliberações. Nós, ortodoxos, dizemos que o papa tem a primazia do amor e da honra. A Igreja Católica afirma que o papa tem também a primazia de jurisdição sobre toda a igreja cristã e pretende que isto seja um direito divino, enquanto que nós entendemos que se trata de um direito criado pelos homens.

Uma minoria ainda sem direitos na Turquia

Os ortodoxos acreditam ser os herdeiros da igreja fundada no ano 33 pelos apóstolos, os primeiros seguidores de Jesus Cristo. Em contrate com as comunidades religiosas que nasceram da Reforma no século 16, não definem sua igreja em contraposição aos católicos romanos. A separação entre as grandes igrejas cristãs do Ocidente e do Oriente ocorreu cinco séculos antes de Lutero e Calvino rebelarem-se contra a autoridade do papa e fundarem as primeiras congregações protestantes. Aconteceu em 1054, quando o bispo de Roma rompeu com os quatro outros patriarcas originais dos cristãos – de Constantinopla, Alexandria, Jerusalém e Antioquia.

A tomada de Constantinopla pelos otomanos, em 1453, deu início ao longo declínio do mais influente patriarcado oriental. Rebatizada Istambul, a cidade abrigava mais de 50 mil ortodoxos gregos no início do século passado. Após a guerra de 1919-1922 entre a Grécia e a Turquia e as trocas forçadas de populações entre os dois países, eles hoje não passam de 3 mil numa cidade com população superior a 15 milhões.

A despeito do virtual desaparecimento dos ortodoxos num país de 70 milhões de muçulmanos, o Patriarca de Constantinopla é reconhecido pelos demais chefes das igrejas ortodoxas gregas como o “primeiro entre iguais” e é freqüentemente chamado a resolver disputas.

Foi o que ocorreu com a recente destituição do patriarca de Jerusalém, confirmada por um sínodo ortodoxo convocado por Bartolomeu. Líder de uma igreja que não é oficialmente reconhecida, não tem existência jurídica na Turquia e está proibida de ter bens, o patriarca é assistido por padres e diáconos que viajam regularmente para a Grécia e retornam como turistas, com vistos de três meses, para não violar as leis de imigração e evitar retaliações.

Se for confirmada, a entrada da Turquia na União Européia poderá iniciar uma era mais promissora para Bartolomeu e seu rebanho. “Será bom para as minorias e será bom para o patriarcado, pois passarão a valer os critérios da comunidade européia”, diz ele.

Fonte: Estadão

Madonna estaria disposta a deixar a Cabala, segundo a imprensa britânica

Madonna, a pessoa mais famosa entre os seguidores da Cabala, estaria a ponto de abandonar esta corrente esotérica judia, descrita por alguns como uma seita à qual a cantora se uniu em 1997, segundo publica neste domingo o jornal britânico The Independent.

Segundo fontes ligadas à rainha do pop, Madonna teria decidido se distanciar do movimento devido ao peso financeiro que este representa, mas, principalmente, pelas conseqüências que acarreta para sua família.

No entanto, uma porta-voz da cantora assegurou que a notícia é falsa.

O envolvimento de Madonna nesta corrente teria causado tensões com o marido, o cineasta Guy Ritchie, e teria exercido pressão sobre seus dois filhos, Lourdes e Rocco, que, por exemplo, não podem comemorar o Natal como todos seus colegas de escola.

Financeiramente, Madonna teria destinado milhões de libras esterlinas à Cabala, movimento fundado pelo rabino Philip Berg.

Como Madonna, outras estrelas se somaram a esta corrente, entre elas a atriz Demi Moore e a cantora americana Britney Spears.

Fonte: AFP

Papa pede ajuda de cristãos para manter casamento tradicional

Bento XVI afirmou neste domingo que “reconhecer e ajudar” o casamento “indissolúvel” entre um homem e uma mulher é um dos maiores serviços que se pode prestar ao bem comum e ao “verdadeiro” desenvolvimento das sociedades.

O Pontífice fez esta declaração durante a homilia da missa com a qual encerrou ontem o V Encontro Mundial das Famílias, realizado em Valência, a terceira cidade em população da Espanha, um dos poucos países do mundo onde o casamento entre homossexuais é legalizado.

Em seu discurso, o papa reafirmou a “vigência” da família, instituição que considera célula básica da sociedade e que, como denunciou, está ameaçada em uma sociedade cada vez mais secularizada.

Com a presença dos reis da Espanha e diante de um milhão de pessoas provenientes de todo o mundo, Bento XVI afirmou que a ajuda e reconhecimento à família tradicional é a “melhor garantia para assegurar a dignidade, a igualdade e a verdadeira liberdade da pessoa”.

Na mesma linha que os discursos anteriores, nos quais ressaltou a figura dos pais, dos filhos e dos avôs, o papa disse na homilia que novamente queria destacar o “papel positivo” da família e pediu aos cristãos que colaborem, unam suas forças e com “legítima pluralidade” contribuam para sua “promoção”.

Bento XVI disse que na cultura atual se exalta freqüentemente a liberdade do indivíduo, “concebido como sujeito autônomo”, como se apenas ele “se bastasse a si mesmo, à margem de sua relação com os demais e alheio a sua responsabilidade perante os outros”.

O papa afirmou ainda que tentam organizar a vida social somente a partir de desejos subjetivos e inconstantes, “sem referência alguma a uma verdade objetiva prévia como a dignidade de cada ser humano e seus deveres e direitos inalienáveis, a cujo serviço deve se colocar todo o grupo social”.

Assim, o Pontífice ressaltou que a Igreja não pára de lembrar que a verdadeira liberdade do ser humano provém de ter sido criado a imagem e semelhança de Deus. “Por isso a educação cristã é educação de liberdade e para a liberdade”, acrescentou.

Embora Bento XVI não tenha tocado no tema, quando recebeu o novo embaixador da Espanha no Vaticano, Francisco Vázquez, em 20 de maio, exigiu do Governo espanhol que colocasse “em condições equiparáveis” o ensino da religião e das outras disciplinas na escola, o que não ocorre atualmente.

O papa insistiu no exemplo da família de Nazaré e reiterou que as que são baseadas no casamento tradicional expressam a dimensão filial e comunitária, onde o homem “pode nascer com dignidade, crescer e se desenvolver de modo integral”.

Bento XVI insistiu em que a família é uma comunidade de gerações e fiadora de um patrimônio de tradições.

Categoricamente, o papa afirmou que os pais têm o direito e o dever de transmitir aos filhos essa herança, que consiste em educá-los no descobrimento de sua identidade, iniciá-los na vida social, no exercício de sua liberdade moral e em sua capacidade de amar através da experiência de serem amados.

O papa explicou que os filhos vêm de seus pais, mas que também vêm de Deus. “Por isso, na origem de todo ser humano não existe o acaso ou a casualidade, mas um projeto do amor de Deus”, disse.

Os ministros espanhóis de Relações Exteriores e Justiça, Miguel Angel Moratinos e Juan Fernando López Aguilar, assistiram à missa, celebrada em um gigantesco palco de 2.700 metros quadrados. O primeiro ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero – que se reuniu com o papa neste sábado -, não compareceu à cerimônia.

Os bispos e cardeais espanhóis e numerosos prelados vindos de todo o mundo participaram da missa.

Antes de se despedir das famílias, Bento XVI anunciou que o VI Encontro Mundial das Famílias será realizado em 2009, na Cidade do México. Os encontros anteriores aconteceram em Roma (1993 e 2000), Rio de Janeiro (1997) e Manila (2003, Filipinas).

Bento XVI já retornou a Roma. Sua próxima viagem pelo mundo será para visitar a Alemanha, de 9 a 14 de setembro.

Fonte: EFE

Violência religiosa deixa mais de 60 mortos em Bagdá

A violência religiosa atingiu neste domingo um nível sem precedente em Bagdá com o massacre a sangue-frio de 42 sunitas, seguido de um duplo atentado contra um templo xiita que deixou 19 mortos e 59 feridos.

Além disso, quatro soldados americanos foram formalmente indiciados por estupro e assassinato no caso da matança registrada na localidade de Mahmudiyah, assim como um quinto militar que não informou a hierarquia.

Pela manhã, homens à paisana e encapuzados entraram num bairro de maioria sunita da capital, montaram barreiras e, simulando uma blitz, revistaram as pessoas e executaram 42 sunitas depois de conferir sua carteira de identidade.

O xeque Mahmud al-Sudani, imã xiita da mesquita Fatima Zahra, do bairro Jihad, afirmou que se tratava de um ato de represália após os diversos ataques contra sua comunidade.

“Nos últimos cinco meses, xiitas foram mortos e capturados no bairro. Eles pertencem a tribos do sul que quiseram se vingar”, afirmou o xeque, do movimento radical xiita do líder rebelde Moqtada al-Sadr.

“A gota d’água foi o ataque contra nossa mesquita no sábado, durante a qual meu assistente foi ferido”, afirmou. Um ônibus-bomba, que explodiu em frente à mesquita, deixou sete mortos e 17 feridos.

O xeque Abdelsamad al-Obeidi, imã da mesquita sunita de Fakhri Chanshal, acusou o Exército de Mehdi, a milícia de al-Sadr, e criticou o “governo de ficar de braços cruzados”.

Horas mais tarde, 19 pessoas morreram e 59 ficaram feridas num duplo atentado com carro-bomba perto de um templo xiita, o Husseiniyat Aal-al-Bait, no bairro de Kasra, em Bagdá.

Em um comunicado, o presidente iraquiano Jalal Talabani, pediu calma. “Nós estamos à beira de um abismo no qual não desejamos que os iraquianos caiam: o do assassinato com base na identidade e do massacre de inocentes sem motivos”, destacou.

Moqtada al-Sadr, cuja milícia é acusada, convocou uma reunião extraordinária do Parlamento e um encontro de emergência dos responsáveis políticos e “para acabar com o banho de sangue dos iraquianos e evitar uma guerra civil”.

Além disso, 12 pessoas morreram em ataques em todo o Iraque, entre as quais dois religiosos sunitas em Samarra, ao norte de Bagdá, enquanto três corpos de pessoas executadas a bala foram descobertos ao sul da capital.

O exército americano desmentiu neste domingo a informação segundo a qual teria prendido Ali Najm Abdullah, ou Abu Hutheifa, o número dois do Exército Islâmico no Iraque, uma das principais organizações da guerrilha nesse país, conforme declarou um oficial militar iraquiano Kirkuk (norte). Em outra ocorrência, quatro soldados americanos foram indiciados formalmente por “suposta participação no estupro de uma jovem iraquiana e seu assassinato junto a outros três membros da mesma família”, informou o exército americano, destacando que um quinto militar foi acusado de “não cumprir seu dever de informar a seus superiores sobre o assassinato destes civis”.

Segundo um comunicado militar, estes soldados foram indiciados por “complô com o ex-soldado Steven D. Green para cometer estes crimes”.

Este ex-militar de 21 anos foi indiciado no último dia 4 pela justiça civil nos Estados Unidos pelo estupro e três assassinatos no mesmo caso que comoveu os Estados Unidos e o Iraque, e que fez o governo de Nuri al-Maliki pedir participação na investigação e o fim da impunidade dos soldados americanos.

De serviço nos dias 11 e 12 de março num posto de controle perto da cidade de Mahmoudiyah, a 30 km ao sul de Bagdá, o ex-soldado Steven D. Green foi a uma casa próxima, com mais três soldados, para estuprar uma jovem que ele havia visto numa primeira visita.

Segundo testemunhas, este ex-militar entrou no quarto onde estava a mulher, um homem e uma menina, e saiu dizendo: “Eu acabei de matá-los; estão todos mortos”.

Steven D. Green e um outro soldado estupraram a moça que procuravam, e depois o primeiro a matou com dois ou três disparos de fuzil.

Por fim, o jornal Los Angeles Times noticiou que a polícia iraquiana é acusada de corrupção e seus membros participam de seqüestros, assassinatos e violações. Documentos confidenciais do ministério do Interior iraquiano descrevem um desanimador estado das forças de ordem no país, detalhando mais de 400 investigações por corrupção. Os documentos foram validados por oficiais da polícia em atividade e aposentados, acrescentou o Times.

A informação inclui investigações feitas sobre casos de 2005 e parte de 2006, e revela que as forças policiais cometeram torturas, assassinatos, violação de prisioneiros, roubos, bem como suborno a suspeitos de terrorismo.

Outro relatório particular contratado pelo governo americano anota que “o clima de corrupção atual, violação de direitos humanos e violência sectária nas forças de segurança no Iraque atenta contra a segurança pública”, segundo o Times.

Fonte: AFP

Aparelho à base de luz solar levará Novo Testamento a comunidades rurais

A Sociedade Bíblica Peruana e o Ministério Hosana vão disponibilizar para comunidades rurais pobres que não contam com energia elétrica o “Proclaimer”, um equipamento que funciona à base de energia solar, para que as pessoas possam escutar a Bíblia.

A iniciativa pretende superar as limitações de muitas comunidades do interior do país, carentes de recursos econômicos e serviço de energia elétrica, onde muitos dos moradores não sabem ler nem escrever.

O “Proclaimer” é um dispositivo dedicado exclusivamente a reproduzir o Novo Testamento em áudio e que recebe energia através de um painel solar incorporado ao aparelho. Seu funcionamento é simples, pois é operado com manivela, também é fácil de ser transportado, uma vez que é pequeno, e foi desenhado para não se desgastar pelo uso freqüente.

Segundo a Sociedade Bíblica Peruana, esta nova modalidade de promover a Palavra de Deus beneficiará muitas comunidades camponesas. O “Proclaimer” está disponível em espanhol e em quechua.

Cada seção do Novo Testamento tem a duração de 30 minutos, que é o tempo necessário para ativação de cada carga mediante a rotação da manivela. O “Proclaimer” contém 40 seções de meia hora cada que, no total, compreende o Novo Testamento completo.

Através do “Proclaimer”, aproximadamente 200 pessoas podem escutar de forma simultânea a mensagem bíblica. Até o momento, a Sociedade Bíblica Peruana dispõem de 170 unidades para uso nas igrejas rurais. O projeto integra o programa “A fé vem pelo ouvir”, que a entidade vem desenvolvendo como parte da ajuda que oferece ao ministério pastoral.

O novo equipamento será distribuído a partir de setembro às igrejas rurais. A Sociedade Bíblica Peruana ficará encarregada da distribuição no idioma espanhol e a organização Runa Simi, em quechua. Espera-se distribuir ao longo deste ano mais de 200 unidades.

O aparelho foi aprovado na comunidade de Puquio, em Ayacucho, onde seu funcionamento ficou demonstrado aos pastores e obreiros, causando grande impacto. “Deus escutou as nossas orações”, disse um pastor rural após a demonstração.

Para maiores informações dirijam-se à Sociedade Bíblica Peruana através do telefone (051) 4330077 ou do e-mail: informes@casadelabiblia.org

Fonte: ALC

Revista Veja: Os novos pastores

Pastor Silas MalafaiaCom menos ênfase no sobrenatural e mais investimento em técnicas de auto-ajuda, a nova geração de pregadores evangélicos multiplica o rebanho protestante e aumenta a sua penetração na classe média. Entre estes pregadores, segundo a VEJA, está o pastor Silas Malafaia (foto), um dos nomes mais conhecidos da Assembléia de Deus, que chega a vender, por ano, 1 milhão de DVDs e CDs de pregações de conteúdo motivacional.

A informação foi divulgada pela primeira vez no último mês de maio, para perplexidade dos 320 bispos católicos reunidos na 44ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Indaiatuba, no interior de São Paulo: nas últimas décadas, a Igreja Católica brasileira perdeu nada menos do que 15 milhões de almas, segundo pesquisa de mobilidade religiosa feita pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris). O trabalho, coordenado pela socióloga Sílvia Regina Fernandes, abrangeu cinqüenta municípios brasileiros, sendo 23 capitais, e foi realizado entre agosto e novembro de 2004.

De acordo com o estudo, o primeiro motivo pelo qual o católico vem abandonando a doutrina é a discordância em relação aos seus princípios. O segundo é a sensação de não ser acolhido pela igreja e o terceiro é o fato de não ter encontrado nela apoio para os momentos difíceis. Os resultados da pesquisa do Ceris embutiam um desconcertante corolário: de que, de cada dez ex-católicos, sete se tornaram evangélicos. De 2000, ano do último censo, a 2003, o número de evangélicos brasileiros passou de 15% para quase 18% da população, conforme estudo inédito feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordenado pelo economista Marcelo Neri. Em valores absolutos, isso significa dizer que, em três anos, quase 6 milhões de brasileiros aderiram ao protestantismo, que continua crescendo com fôlego renovado graças ao trabalho de uma nova geração de pastores.

Das três grandes correntes evangélicas presentes hoje no Brasil, a neopentecostal é a que mais cresce. Surgida na década de 70, ela teve como principais expoentes pregadores como o pastor Romildo Ribeiro Soares, conhecido como R.R. Soares, e o bispo Edir Macedo. Juntos, eles fundaram a Universal do Reino de Deus e lotaram estádios com seus brados de cura e suas performances exorcistas. Eram tempos muito diferentes para os evangélicos: no início dos anos 90, eles não passavam de 9% da população brasileira. Na tentativa, então, de abrir portas para o neopentecostalismo nascente, alguns pastores acabaram por arrombá-las.

Um dos episódios mais famosos ocorreu em 1995, durante a transmissão do programa Despertar da Fé, na TV Record. Para salientar a diferença entre os evangélicos e os “adoradores de imagem” católicos, o pastor Sergio von Helde, da Universal do Reino de Deus, desferiu socos e pontapés em uma estátua de Nossa Senhora Aparecida. A cena foi ao ar no dia 12 de outubro, data que os católicos devotam à santa, e ganhou tamanha repercussão que, quatro dias depois, o bispo Edir Macedo foi obrigado a ir à TV pedir desculpas públicas aos católicos. Embora Macedo continue a ocupar o posto de líder máximo da Universal e R.R. Soares, hoje líder de uma igreja dissidente, mantenha no ar seu programa religioso há mais de 25 anos, ambos os religiosos pertencem a uma geração passada. Na pregação das novas estrelas evangélicas não há espaço para destruição de santos ou descrições sobre o apocalipse e o demônio. O Deus que pregam os telepastores da segunda geração não tem na ira sua característica principal. Tampouco cultiva o hábito de espreitar as carteiras de fiéis à procura de tostões secretamente sonegados, como sugeriam, ameaçadores, muitos dos pastores antigos, defensores da tese de que uma boa graça tem seu preço.

A nova geração de líderes evangélicos achou um caminho muito mais certeiro e útil de chegar ao coração dos fiéis: o da auto-ajuda. A promessa é a mesma que ofereciam pentecostais e neopentecostais da geração passada: o da felicidade e prosperidade aqui e agora. Só que, para alcançá-las, os novos pastores sugerem outras ferramentas: além da fé, o bom senso; somado à intervenção divina, o esforço individual. “O discurso atual dá mais ênfase ao pragmatismo e à pró-atividade do fiel do que ao sobrenatural”, avalia o pesquisador da PUC-SP Adilson José Francisco. “Em vez de pregar, como fazem algumas igrejas, a libertação de todos os males por meio do exorcismo, por exemplo, esses pastores adotam alguns conceitos da psicologia: para se livrar dos problemas, é preciso uma mudança de atitude, na maneira de ver o mundo”, explica o antropólogo Flávio Conrado, pesquisador do Instituto de Estudos da Religião.

Um indicativo claro dessa transformação está na comparação da produção literária dos velhos e dos novos pastores. Títulos como A Fé de Abraão ou Estudo do Apocalipse, assinados pelo bispo Edir Macedo, abrem lugar nas prateleiras das livrarias evangélicas para obras com títulos como Jamais Desista! , do pastor metodista Silmar Coelho, ou Vencendo Obstáculos e Conquistando Vitórias, de autoria de Silas Malafaia. Um dos nomes mais conhecidos da Assembléia de Deus, o Revista Veja - Edição 1964pastor Malafaia chega a vender, por ano, 1 milhão de DVDs e CDs de pregações de conteúdo motivacional. Em seus discursos, as parábolas bíblicas dão lugar à objetividade de um Lair Ribeiro. Conflito amoroso? “Vem cá, minha filha: o sujeito é bonitão e sarado, mas não trabalha nem estuda? Então, fica com o magrinho narigudo que é melhor! Ele pode ser feio mas é trabalhador”, brada o pastor. Perda de emprego? “Meu amigo, você ganhava 700 reais e viu abrir uma porta de 300 reais? Mete a cara! Não fica dizendo que Deus está olhando, que vai abrir uma porta melhor… Deus tá vendo o quê, rapaz? Vai trabalhar!” “Os neopentecostais pregam o faça-você-mesmo”, afirma o historiador e especialista em religiões da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Eduardo Bastos de Albuquerque. “E, muitas vezes, a técnica funciona. Ao deixar de beber, fumar, brigar dentro de casa e ao passar a trabalhar, o fiel alcança, de fato, uma melhoria de vida.”

Para o sociólogo Ricardo Mariano, da PUC do Rio Grande do Sul, o sucesso do discurso dos novos pastores está diretamente relacionado ao que ele chama de “desencanto” dos fiéis em relação à idéia da “barganha” com Deus proposta pelos antigos pregadores. “Há certa decepção com esse discurso fácil de que bastaria dar o dízimo e orar que Deus deixaria todo mundo feliz, vitorioso e saudável”, diz. O sociólogo chama ainda atenção para o fato de que, ao enfatizarem a importância da racionalidade em detrimento da magia, os novos pastores estão mirando um segmento que, embora ainda incipiente, começa a crescer: o dos fiéis de classe média.

As últimas pesquisas indicam que a maior parte dos evangélicos ainda pertence às classes econômicas mais pobres. O estudo “Retratos das religiões no Brasil”, divulgado no ano passado pela FGV, mostra que, enquanto o porcentual de evangélicos em todo o país, em 2000, era de 15%, na periferia das regiões metropolitanas ele chegava a 20%. Na comparação com fiéis de outras religiões, a situação socioeconômica dos evangélicos também é desfavorável. Em média, eles ganham 7% a menos do que os trabalhadores católicos, diz a pesquisa. Alguns indícios, no entanto, sugerem que as igrejas evangélicas começam a penetrar de forma mais intensa nas classes econômicas mais altas. A formação dos próprios pregadores é um desses indicativos.

O decano R.R. Soares, por exemplo, é filho de pedreiro, não tem curso superior e, antes de ingressar na carreira religiosa, era comerciante, assim como Edir Macedo. Dos cinco pastores da nova geração ouvidos por VEJA, quatro têm curso superior e dois deles possuem pós-graduação: Malafaia, da Assembléia de Deus, é teólogo e psicólogo; Rinaldo de Seixas Pereira, da Bola de Neve Church, é formado em propaganda e marketing, com pós-graduação em marketing; Silmar Coelho, da Igreja Metodista Wesleyana, é teólogo, com doutorado em teologia e liderança; e Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, é físico, com especialização em ressonância magnética nuclear.

A qualificação desses novos pregadores não contribuiu apenas para que eles modernizassem seus discursos, mas, em alguns casos, para que aprimorassem técnicas de gerenciamento de suas igrejas também. O conceito de segmentação está presente nos espaços e eventos dedicados ao público jovem da igreja Sara Nossa Terra. “Dar um tratamento diferenciado a jovens ou idosos é uma preocupação que não existe nas igrejas evangélicas mais antigas”, diz o professor e pesquisador da Universidade de Brasília Rogério Rodrigues da Silva.

Os evangélicos são hoje o grupo religioso que mais cresce no Brasil – e nada indica que isso vá mudar. Basta ver a rapidez com que a igreja cria novas lideranças. Atualmente, o número de pastores evangélicos por fiel é dezoito vezes maior que a proporção de padres por católico. Enquanto a Igreja Católica não consegue ordenar mais do que 900 padres por ano, só um único instituto evangélico de São Paulo forma, no mesmo período, 200 pastores. O sucesso da doutrina, a facilidade de comunicação com os fiéis e a eficiência na gestão das igrejas permitem vislumbrar templos evangélicos cada vez mais cheios. Projeção feita pelo economista Marcelo Neri indica que em 2015 mais de 20% da população brasileira será evangélica. É o rebanho cada vez mais satisfeito com o que lhe proporciona sua fé.

Leia a matéria completa na Revista Veja – Edição 1964 . 12 de julho de 2006

Anglicanos britânicos votam pela ordenação de mulheres bispas

A Igreja Anglicana da Inglaterra votou neste sábado pelo ordenamento de mulheres como bispas, um grande passo na liberalização de uma religião que enfrenta divisões na questão do homossexualismo. No entanto, ainda pode levar anos para a primeira nomeação de uma bispa.

A Igreja inglesa tem ordenado mulheres para conduzir a eucaristia há uma década, assim como os padres da Igreja Católica, sendo que entre cada seis pessoas ordenadas uma é do sexo feminino. No entanto, a igreja mantinha a proibição para que as mulheres ascendam ao cargo de bispa.

No seu sínodo (assembléia regular paroquial) na cidade de York, no Norte do país, três “casas” do laicato, padres e bispos votaram majoritariamente a favor de um pedido que declara a ordenação de mulheres para o bispado compatível com os ensinamentos da Igreja.

“Isso significa que é consonante com a fé”, disse um porta-voz do sínodo. Entretanto, apesar de a votação resolver uma questão teológica, a Igreja deve ainda reformar as suas regras, um processo que exige dois terços da votação total e que pode levar anos.

A junta eclesiástica considerou como “teologicamente aceitável” o conceito de mulher bispo, após um debate de duas horas e meia aberto pelo arcebispo de York, John Sentamu, informaram fontes religiosas.

Um total de 288 membros do sínodo apoiou o pedido de Sentamu de acolher a proposta de aceitação das mulheres ao episcopado, por “estar de acordo com a fé da Igreja”.

Entre os bispos, 31 votaram pela proposta, frente a nove que se disseram contrários; entre o baixo clero, 134 apoiaram a medida, frente a 42 que a rejeitaram; entre os laicos, 123 a aceitaram, contra 68 membros que a rejeitaram.

Sentamu havia pedido ao sínodo, reunido na Universidade de York, que aceitasse as propostas, e “explorasse” a história deste assunto controverso. “Devo render tributo às mulheres anglicanas, que foram submetidas a todo tipo de prova durante quase 90 anos. Mantiveram a fé e foram leais à Igreja da Inglaterra”, disse o arcebispo de York, que admitiu que a proposta não seria aceita pela Igreja Católica.

O arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, primaz da Igreja da Inglaterra, pedirá ao sínodo que apóie a formação de um grupo que trabalhe na redação de uma proposta sobre os passos a seguir para suprimir os obstáculos à ordenação de mulheres bispos.

Segundo os analistas, o debate deste sábado pode ser o começo da aceitação de mulheres bispos, possivelmente para o ano 2012.

Anglicanos de Canadá, Estados Unidos e Nova Zelândia já têm bispas. As igrejas anglicanas em países em desenvolvimento não permitem que as mulheres conduzam a eucaristia.

A Igreja da Inglaterra ordenou mulheres pela primeira vez no sacerdócio em 1994.

Fonte: Reuters e Folha Online

“Ala evangélica” da seleção brasileira critica “turma da cervejinha”

Alguns jogadores da seleção brasileira não se cuidaram direito antes e durante a Copa. Abusaram das baladas e não deixaram de tomar cerveja e, ao menos dois deles, de fumar. Essa é a opinião de parte dos atletas, a maioria evangélica.

Ninguém fala abertamente, mas, assim que a França despachou o Brasil, a lavagem de roupa suja começou entre alguns deles e, principalmente, nos depoimentos a amigos.

O principal alvo é Roberto Carlos, que estava quase agachado no momento em que Henry fez o gol que eliminou o Brasil. Ainda no vestiário, após o jogo, ouviu queixas de colegas por “não correr” em campo.

Entre atletas, cartolas e empresários, Roberto Carlos e Ronaldo são conhecidos por gostarem de fumar e beber nas folgas. Os colegas evangélicos não têm nada contra. Porém se irritaram porque esperavam que eles mudassem os hábitos pensando na Copa. Tanto Ronaldo como Roberto Carlos estavam fora de forma e pouco se movimentaram em campo.

Entre os descontentes estão Kaká, Zé Roberto e Lúcio, todos evangélicos. Os reservas Cris e Luisão estão nesse grupo.

Um dia após a eliminação, um integrante da delegação brasileira, que pediu para não ser identificado, referia-se a dois grupos no elenco: o pessoal sério e o da cervejinha.

Durante a campanha, nenhum dos jogadores reclamou com o técnico Carlos Alberto Parreira sobre o assunto. Porém havia pressão sobre o treinador, já que os mais velhos não admitiam ser substituídos, apesar de jogarem mal. Os mais novos queixavam-se para gente de fora da delegação.

Nas primeiras entrevistas após a queda começaram a surgir as queixas.
“Tenho consciência de que me doei ao máximo. Cada um precisa fazer a sua análise para ver se também doou tudo o que podia”, disse Zé Roberto.

O preparador físico Moraci Sant’Anna, acusado de não colocar o time em forma, sinalizou que alguns jogadores não se cuidavam após as folgas.

Ronaldinho, que não fuma, também incomodou os colegas. Depois de ele se esbaldar na noite de Barcelona no dia seguinte à eliminação, começaram a surgir depoimentos de atletas falando de seus sofrimentos com a derrota. “Choro todas as noites”, disse Lúcio. Zé Roberto também falou em choro dele e de sua família.

Sobre Ronaldo, pesa outra acusação. Pelo menos dois atletas disseram a amigos que o atacante estava mais preocupado em quebrar o recorde de gols em Copas do Mundo.

Semelhantes críticas veladas foram feitas ao capitão Cafu, que se tornou o brasileiro com mais jogos em Mundiais.

Para alguns cartolas, faltou pulso a Parreira tanto para controlar o comportamento dos jogadores fora de campo como para barrar veteranos.

Na fase de preparação, Roberto Carlos, Ronaldo e Robinho, entre outros –nenhum deles evangélico–, apareceram em fotos de jornais em casas noturnas.

Fonte: Folha Online

Religiosos dos EUA chegam a Cuba levando ajuda humanitária

Um grupo de ativistas religiosos americanos chegou neste sábado a Cuba com 90 toneladas de ajuda humanitária recolhidas em 127 comunidades dos Estados Unidos e do Canadá, no 17º desafio ao embargo americano desde 1992, informaram os meios de comunicação cubanos.

Trata-se dos Pastores pela Paz, um projeto da Fundação Interreligiosa para a Organização Comunitária (IFCO) dos Estados Unidos, presidida pelo reverendo Lucius Walker.

Ao contrário das outras vezes, os ativistas atravesssaram a fronteira entre Estados Unidos e México sem problemas aduaneiros, o que o jornal Juventude Rebelde qualificou neste sábado como “uma vitória da caravana”.

Em 2005, o Departamento de Comércio confiscou na fronteira 43 caixas de computadores e equipamentos para hospitais, que só foram devolvidos 10 meses depois.

“Tivemos uma experiência pouco usual, não houve nenhuma confrontação, nada foi confiscado, não sabemos exatamente o porquê”, disse Walker ao chegar.

Esta caravana ocorre num momento em que a administração de George W. Bush acaba de aprovar seu segundo ‘plano para uma Transição Pacífica em Cuba’, que segundo funcionários cubanos tenta impedir a ajuda humanitária de entidades religiosas, entre outras medidas.

Além das 90 toneladas de diversos artigos médicos e educacionais, os religiosos levaram uma ambulância e dois ônibus escolares.

“Dissemos a nossos amigos, a nossas irmãs e irmãos em Cuba, que vamos continuar fortalecendo nossa solidariedade e nos inspirando em sua coragem. Realmente estamos admirados com a maneira como vocês lutam e mantêm a revolução. Trabalharemos com vocês nesse esforço”, disse Walker.

Várias dessas pessoas receberam cartas de advertência do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Departamento do Tesouro, primeiro passo de um processo que pode resultar em multas de até 7.500 dólares, segundo informaram.

Fonte: EFE