Líderes de três denominações cristãs na Nigéria defendem a criação de forças policiais estaduais como medida estratégica contra a escalada da criminalidade
Líderes das igrejas Anglicana, Metodista e Presbiteriana manifestaram apoio formal à implementação de um sistema policial descentralizado no país. A posição foi consolidada durante a 10ª reunião do Conselho Consultivo Espiritual da Christ Church, realizada em Port Harcourt, no estado de Rivers, conforme reportado pelo Christianity Daily.
O grupo avalia que a reestruturação da segurança pública, por meio de um modelo dual de forças federais e estaduais, pode oferecer uma resposta mais localizada e eficiente contra sequestros e atos violentos. Os religiosos destacaram a necessidade de uma implementação rigorosa para que o novo sistema alcance resultados práticos na segurança das comunidades.
Contexto legislativo e debates políticos
O apoio das lideranças religiosas coincide com os esforços do governo do presidente Bola Tinubu e da Assembleia Nacional para alterar a estrutura de segurança nigeriana. Em junho de 2026, o Senado avançou na aprovação de um projeto de lei que permite a criação dessas forças, contando com o apoio de mais de dois terços dos senadores.
A proposta prevê diretrizes específicas para o funcionamento das novas unidades:
- Participação de governadores na nomeação de comissários estaduais.
- Confirmação das nomeações pelas Assembleias Legislativas estaduais.
- Autorização para que governadores emitam diretrizes de política sobre segurança pública.
- Provisões legais para impedir que a polícia estadual seja utilizada como ferramenta de perseguição política.
Apesar do suporte das lideranças cristãs, o projeto ainda enfrenta debates significativos. Críticos apontam o risco de interferência política pelos governadores e questionam a viabilidade de padronização em relação a financiamento, treinamento e a coordenação necessária com as forças federais. A Associação Cristã da Nigéria, por meio de seu presidente, Daniel Okoh, também defendeu recentemente a celeridade nas ações legislativas e uma maior responsabilidade por parte das agências de segurança.
