Seis cristãos permanecem sob custódia no Egito após autoridades interpretarem uma postagem em rede social como desrespeitosa aos dogmas religiosos
Um grupo de seis jovens cristãos, com idades entre 17 e 23 anos, segue detido no Egito sob acusação de blasfêmia e desprezo pela religião. De acordo com informações do Guiame, a detenção ocorreu após a publicação de um vídeo no TikTok que, segundo as autoridades locais, teria zombado da oração muçulmana.
A gravação, compartilhada em 4 de outubro, reproduzia uma cena do filme de comédia egípcio intitulado “Khalawis”, lançado em 2018. O longa, que foi aprovado por censores estaduais e permanece em exibição na televisão por satélite, retrata detentos tentando realizar orações sem conhecer as passagens do Alcorão. Os jovens relataram que o material foi gravado por impulso e removido poucas horas depois, após alertas de conhecidos sobre possíveis repercussões negativas.
A situação escalou após um morador local republicar o conteúdo, acompanhado de críticas. O episódio gerou uma onda de hostilidade online, incluindo ameaças contra os jovens e seus familiares. Buscando evitar o agravamento das tensões religiosas, representantes da igreja e familiares entregaram cinco dos envolvidos à delegacia em 6 de outubro, enquanto o sexto jovem apresentou-se após a prisão de sua mãe pelas autoridades.
Desdobramentos e contestações jurídicas
O caso está sob responsabilidade da Procuradoria Suprema de Segurança do Estado. Apesar das tentativas de conciliação por parte da Diocese de Samalout, que emitiu pedidos formais de desculpas, a detenção foi mantida e prorrogada por um juiz. Organizações de direitos humanos, como a Iniciativa Egípcia para os Direitos da Pessoa, argumentam que o vídeo é uma reprodução comum na plataforma e não justifica medidas criminais.
“Esses jovens não fizeram nada além de compartilhar um vídeo descontraído com narração de um filme popular e sem controvérsias, como muitos outros já fizeram na plataforma. Não há motivo para acusá-los ou prendê-los”, afirmou Kelsey Zorzi, vice-presidente de Advocacia Internacional da ADF International.
A ADF International registrou pelo menos 111 casos de detenções por questões religiosas no Egito. O país, que ocupa a 42ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, mantém leis de criminalização da blasfêmia ativas, embora a Constituição egípcia preveja teoricamente a liberdade religiosa para sua população, composta majoritariamente por muçulmanos e por uma minoria cristã estimada entre 10% e 15%.
