Jornalista Peninha indiciado por crime de discriminação religiosa contra evangélicos

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Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou o jornalista e escritor Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, por crime de discriminação religiosa contra evangélicos em maio deste ano.

A investigação policial se concentrou em declarações feitas pelo comunicador em um vídeo divulgado em janeiro. Nele, Eduardo Bueno teria sugerido que pessoas evangélicas não deveriam ter o direito ao voto, além de se referir ao grupo religioso de forma depreciativa.

A apuração do caso foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância, após o recebimento de uma notícia-crime. A representação foi formalizada perante a Polícia Civil e o Ministério Público Federal (MPF) pelo vereador Tiago Albrecht e pela suplente de deputada federal Sâmila Monteiro, ambos do Partido Novo.

Sâmila Monteiro ressaltou a importância do caso, afirmando que “o respeito à liberdade religiosa e ao direito ao voto é um princípio básico da democracia”. Tiago Albrecht complementou que o indiciamento demonstra que a situação transcendeu o debate político, podendo configurar uma violação da legislação brasileira. “Nenhum cidadão pode ser tratado como inferior ou ter seus direitos políticos relativizados por causa da sua fé”, declarou o vereador. “Democracia pressupõe respeito, inclusive com quem pensa diferente”.

Durante a tramitação da investigação, a Justiça determinou a remoção do vídeo de circulação nas plataformas digitais. O jornalista Eduardo Bueno, 67 anos, natural de Porto Alegre, atua também como escritor, tradutor e youtuber, com um canal que conta com mais de 1 milhão de inscritos.

O indiciamento foi fundamentado no artigo 20, parágrafo 2º, da Lei Federal 7.716/1989, que tipifica o crime de discriminação religiosa quando praticado por meio de comunicação social ou pela internet. Após a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público Federal para que se decida sobre a apresentação de denúncia à Justiça.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgados em junho de 2025, os evangélicos representam mais de 26% da população brasileira, totalizando aproximadamente 50 milhões de pessoas. O Censo de 2022 indicou que cerca de um em cada quatro brasileiros se declara evangélico, um aumento em relação aos 21,7% registrados em 2010.

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