Influenciadora e mãe são condenadas em Cuba após gravar agente

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Justiça cubana impõe dois anos de prisão domiciliar para influenciadora e sua mãe após polêmica envolvendo gravação de servidor público

A influenciadora digital Anna Sofía Benítez Silvente, de 21 anos, conhecida nas redes sociais como Anna Bensi, foi condenada pela Justiça de Cuba a dois anos de prisão domiciliar. A sentença também atingiu sua mãe, Caridad Silvent, após ambas gravarem um agente do governo dentro da casa da família em Havana. Conforme reportado pelo portal Guiame, o julgamento ocorreu na última quinta-feira (1), no tribunal municipal do Leste de Havana.

As mulheres foram acusadas de crimes contra a privacidade pessoal e familiar, com base no Artigo 393 do Código Penal cubano. Além da pena restritiva de liberdade domiciliar, Anna Bensi está proibida de viajar para o exterior e enfrenta restrições de deslocamento fora de sua província de origem sem autorização prévia.

Origem do caso e contexto político

O episódio teve início em 10 de março deste ano, quando um agente do Departamento de Segurança do Estado, identificado como Yoel Leodán Rabaza Ramos, compareceu à residência da família para entregar uma intimação. A gravação do servidor, que estava à paisana, foi posteriormente compartilhada pela influenciadora em suas redes sociais. O agente alegou ter se sentido deprimido após o vídeo viralizar, registrando uma queixa contra as duas.

Antes do julgamento, Anna Bensi manifestou sua discordância com o cenário político local.

“Não concordamos com o sistema político do nosso país; isso não é crime. Cuba é uma ditadura, não podemos pensar diferente”

Ela acrescentou em suas falas públicas:

“No somos criminales, estamos expresando lo que pensamos”

Apoio religioso e repressão

O processo judicial foi marcado por denúncias de detenções de líderes religiosos. O pastor Rolando Pérez Lora, que acompanhava Anna até o tribunal, foi detido por policiais à paisana, assim como o pastor David Espinosa, da Convenção Batista do Oeste de Cuba, e sua esposa. As autoridades locais também impediram jornalistas independentes de saírem de suas residências para realizar a cobertura do caso.

Apesar das restrições, aproximadamente 30 representantes de comunidades religiosas realizaram orações e louvores nas proximidades do tribunal em apoio às condenadas. Instituições como a Assembleia de Deus e a Igreja Metodista de Cuba emitiram notas oficiais defendendo o caráter das mulheres, classificando a decisão judicial como um reflexo de uma crise institucional mais ampla na ilha.

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