Grupo evangélico se opõe a plano de realocar aliados afegãos para o Congo

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Grupo evangélico se opõe a plano de realocar aliados afegãos para o Congo

Uma organização evangélica de reassentamento de refugiados expressou forte oposição a um plano noticiado que prevê a realocação de aliados afegãos para a África Central. A World Relief, agência evangélica líder em ajuda humanitária, criticou a proposta de enviar mais de mil afegãos – muitos dos quais apoiaram operações militares dos EUA durante a guerra no Afeganistão – para a República Democrática do Congo (RDC).

A notícia, publicada pelo The New York Times e citando um trabalhador humanitário, detalha um alleged plano da administração Trump envolvendo afegãos atualmente abrigados no Camp As Sayliyah, em Doha, no Catar. Entre os afetados estão intérpretes que trabalharam com forças americanas, membros de unidades de operações especiais afegãs e familiares de militares americanos. Esses indivíduos permanecem no Catar há mais de um ano após serem evacuados durante a retirada das tropas dos EUA, momento em que o Talibã retomou o controle do país.

Preocupações com a segurança e suspensão de vistos

Inicialmente, esperava-se que esses afegãos fossem reassentados nos Estados Unidos. No entanto, as admissões de refugiados, incluindo os afegãos, foram amplamente suspensas após a posse do Presidente Donald Trump em janeiro de 2025. A administração também implementou uma política exigindo entrevistas adicionais para refugiados que já haviam sido aprovados sob a administração anterior. Essa medida foi justificada por preocupações de segurança, especialmente após um nacional afegão admitido durante a administração Biden ter sido acusado de matar um membro da Guarda Nacional em Washington, D.C., em novembro passado. Um visto proibitivo para afegãos também foi aplicado.

Proposta de realocação para o Congo

De acordo com o relato, os refugiados afegãos no Catar poderiam ter a opção de serem realocados para a República Democrática do Congo ou retornar ao Afeganistão. Myal Greene, presidente e CEO da World Relief, que opera sob a National Association of Evangelicals, comentou sobre a situação. “Se esses relatórios forem precisos, a administração está considerando enviar centenas de indivíduos do Afeganistão – o principal país de origem para refugiados reassentados nos Estados Unidos no ano passado – para a República Democrática do Congo (RDC), o segundo país de origem para refugiados reassentados nos Estados Unidos no ano fiscal de 2025”, afirmou Greene.

Críticas contundentes da World Relief

A World Relief é uma das várias organizações sem fins lucrativos que colaboram com o Departamento de Estado dos EUA para auxiliar em esforços de reassentamento de refugiados. Greene criticou duramente a proposta relatada, descrevendo-a como “cruel e míope”. Ele enfatizou que “os afegãos que arriscaram suas vidas para ficar ao lado dos militares dos EUA tiveram a promessa de proteção”.

“Abandoná-los agora – seja para as forças do Talibã de quem fugiram, seja para um país separado assolado pela guerra, conflito e pobreza extrema – é moralmente errado, e eu espero e oro para que a administração não siga este plano relatado”, declarou Greene.

Desafios humanitários na RDC

Greene acrescentou que o trabalho de longa data da organização na República Democrática do Congo lhe deu uma visão direta dos desafios humanitários do país. “Tendo operado na RDC por aproximadamente 25 anos em parceria com igrejas locais, a World Relief tem uma perspectiva em primeira mão sobre os severos desafios humanitários que o país enfrenta. A RDC, que tem sido assolada por conflitos e guerras por décadas, precisa das orações e do apoio do povo americano, não de refugiados adicionais de um conflito totalmente separado.”

A organização evangélica levanta sérias questões sobre a viabilidade e a moralidade de realocar indivíduos que já enfrentaram traumas significativos para uma região com seus próprios problemas humanitários complexos, especialmente aqueles que ofereceram apoio crucial às operações americanas no Afeganistão.

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