Dívida dos EUA em loop de ‘perdição’ pode levar a colapso financeiro sério

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Governo dos EUA em risco extremo com dívida nacional que se aproxima de US$ 40 trilhões e sem soluções à vista

A dívida nacional dos Estados Unidos caminha para atingir a marca de US$ 40 trilhões, um valor astronômico que, segundo análises, pode ter aprisionado o país em um ciclo vicioso de endividamento. A situação é tão grave que o Penn Wharton Budget Model sugere que a dívida real se aproxima de 100 trilhões. Como consequência direta, metade do dinheiro que o governo toma emprestado anualmente é destinada apenas ao pagamento de juros, um montante que beira um trilhão de dólares por ano.

Apesar da economia apresentar estabilidade aparente no momento, especialistas em finanças alertam para a possibilidade de uma deterioração rápida e severa do cenário. No entanto, a cúpula política em Washington parece carecer da coragem necessária para implementar medidas de controle. O presidente do Comitê Orçamentário da Câmara, o congressista Jodey Arrington (R-TX), expressou profunda frustração com a inércia do Congresso.

Esta instituição falhou. Falhamos com nosso país. Comprometemos nossa economia, nossa segurança e nossa liderança mundial. E o pior de tudo, comprometemos o futuro de nossos filhos.

A dificuldade em lidar com o problema reside na relutância dos políticos em tomar decisões que possam afetar suas reeleições, especialmente no que tange aos principais motores do endividamento: os programas de Seguridade Social, Medicare e Medicaid. Dominik Lett, analista de políticas do Cato Institute, aponta esses programas como a raiz do desequilíbrio fiscal.

“Esses três programas representam todo o problema orçamentário. E a menos que os abordemos, torna-se praticamente impossível equilibrar o orçamento ou alcançar algum nível de sustentabilidade fiscal”, explicou Lett. A estimativa do Congressional Budget Office projeta que a dívida federal pode alcançar US$ 150 trilhões em trinta anos, o que equivaleria a mais de um milhão de dólares por residência.

Lett adverte que o adiamento de cortes em despesas com programas sociais apenas intensifica a dor futura. “Podemos fazer ajustes relativamente pequenos, embora dolorosos, agora. Mas se os adiarmos, os ajustes precisarão ser muito maiores e mais significativos. Cortes de benefícios precisarão ser mais expressivos, ou aumentos de impostos precisarão ser mais substanciais”, alertou.

Daniel Bunn, presidente e CEO da Tax Foundation, corrobora a urgência. “Executamos alguns números. São necessários vários trilhões em cortes ou impostos adicionais para atingir uma medida sustentável.” Ele também esclarece que, apesar de escândalos de fraude governamental terem sido descobertos, a fraude não representa a causa principal da dívida.

“Sim, é algo significativo”, admitiu Bunn sobre os valores recuperados de fraudes, “mas não é algo que salvará o suficiente para mudar a trajetória geral da dívida.”

Críticos da preocupação com a dívida apontam para a contínua capacidade do mundo de financiar o endividamento americano através da compra de títulos do Tesouro dos EUA. Contudo, o ex-secretário do Tesouro, Henry Paulson, recentemente alertou para um potencial “colapso vicioso do mercado de títulos” como resultado direto da dívida nacional. O Fundo Monetário Internacional (FMI) também classificou o problema da dívida americana como um “risco global”.

Alguns especialistas sugerem a criação de uma comissão bipartidária não eleita para propor cortes de gastos necessários. Contudo, o Congresso ainda precisaria ratificar tais recomendações, e a inação atual sugere que medidas drásticas só serão consideradas após danos econômicos significativos já terem ocorrido.

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