Daniel Ortega decreta fim das eleições na Nicarágua e consolida regime autoritário

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Daniel Ortega declara fim das eleições na Nicarágua intensificando repressão a igrejas e consolidando poder

O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que o país não realizará mais eleições, um movimento que consolida ainda mais o regime autoritário e sua intensa perseguição a igrejas e líderes cristãos. A declaração foi feita durante as celebrações de 47 anos da Revolução Sandinista, indicando que a oposição não retornará ao poder através do voto.

“Não haverá mais eleições”, disse Ortega em um discurso, referindo-se aos Estados Unidos e a seus adversários históricos. “Partidos colocados em prática pelos ianques, colocados em prática pelo regime de Somoza, voltando ao poder – essa história acabou”, declarou o presidente em Manágua, enfatizando que “nunca, nunca, nunca” haverá eleições futuras.

Essa fala representa um avanço na concentração de poder do governo Ortega-Murillo. Desde seu retorno à presidência em 2007, Ortega implementou reformas constitucionais que expandiram seus poderes e aumentaram a influência de sua esposa, Rosario Murillo, atual copresidente. As reformas também estenderam o mandato presidencial e reduziram os mecanismos de fiscalização democrática.

Repressão a comunidades religiosas se intensifica

O endurecimento político ocorreu em paralelo a um aumento na repressão contra comunidades religiosas, particularmente igrejas cristãs. Essas instituições passaram a ser alvo por denunciarem abusos do regime ou por oferecerem apoio a vítimas de perseguição política. Em 2025, a repressão contra cristãos na Nicarágua atingiu um pico, com 55 líderes cristãos detidos, segundo relatório da Christian Solidarity Worldwide (CSW).

O documento da CSW registrou 309 violações à liberdade de religião ou crença, incluindo ameaças, vigilância estatal e proibição de cultos e reuniões religiosas. Nos últimos anos, centenas de organizações e ministérios cristãos foram fechados, propriedades de igrejas confiscadas e procissões religiosas proibidas. Pastores evangélicos foram detidos e impedidos de exercer suas atividades ministeriais livremente.

Conforme analistas, o anúncio do fim das eleições oficializa um processo de eliminação da competição política. Tiziano Breda, analista sênior da América Latina do monitor ACLED, aponta que Ortega e Murillo temem que qualquer abertura política possa fomentar a dissidência.

Nas eleições de 2021, a maioria dos candidatos de oposição foram presos, impedidos de concorrer ou forçados ao exílio, enquanto partidos e veículos independentes foram fechados. Desde os protestos de 2018, organismos internacionais acusam o governo nicaraguense de graves violações de direitos humanos, como prisões arbitrárias e censura.

O Mecanismo de Reconhecimento de Presos Políticos monitora 46 pessoas presas por motivos políticos no país. O regime de Ortega nega a existência de presos políticos. Para observadores, a extinção das eleições e a pressão contínua sobre igrejas e líderes cristãos consolidam uma ditadura e aumentam a preocupação com a liberdade religiosa.

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