Crise de reféns se agrava em Manipur, na Índia, após morte de três pastores cristãos

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Tensão explode em Manipur após morte de líderes religiosos

A já instável região de Manipur, no nordeste da Índia, viu a tensão aumentar drasticamente com o assassinato de três pastores cristãos da comunidade Kuki-Zo e seu motorista. O incidente, ocorrido em 13 de maio, desencadeou uma onda de abduções retaliatórias, resultando em pelo menos 20 pessoas ainda desaparecidas. As autoridades federais indianas já iniciaram uma investigação sobre a violência que assola o estado.

O ataque inicial ocorreu quando os líderes religiosos viajavam de Churachandpur de volta ao distrito de Kangpokpi, após participarem de um evento da United Baptist Church Conference. A morte dos pastores Vumthang Sitlhou, Kaigoulun e Paogoulen, além de deixar quatro feridos, serviu como estopim para uma escalada de sequestros que atingiu civis e viajantes tanto da comunidade Kuki-Zo quanto da Naga, em várias partes de Kangpokpi e do vizinho distrito de Senapati.

Acusações e escalada de violência

Organizações Kuki-Zo apontam a facção Kamson do Zeliangrong United Front, conhecida como ZUF-K, como responsável pelo ataque. Há alegações de que o grupo Naga estaria operando a mando de facções militantes ligadas à comunidade Meitei, predominantemente hindu. Tanto as populações Kuki-Zo quanto as Naga são comunidades tribais cristãs que habitam as regiões montanhosas de Manipur.

O estado tem sido palco de instabilidade desde maio de 2023, quando eclodiram confrontos étnicos em larga escala entre as comunidades Meitei e Kuki-Zo. Naquele período, mais de 260 pessoas foram mortas e mais de 59.000 foram deslocadas. Grupos Kuki-Zo frequentemente acusam o governo estadual liderado pelos Meitei e partes das forças de segurança de contribuírem para o caos.

Tentativas de negociação e disputa sobre reféns

Após o ataque aos pastores, relatos indicam que grupos Kuki-Zo suspeitam que facções militantes Meitei utilizaram o acesso da facção Naga aos territórios Kuki-Zo para orquestrar o ataque e acirrar tensões territoriais entre as duas comunidades cristãs. Alega-se que, após a emboscada, os agressores fugiram em direção à região Naga de Ireng, sequestrando seis civis Kuki-Zo no processo. Em resposta, residentes da área de Leilon Vaiphei teriam detido 12 civis Naga.

A crise se aprofundou quando a Senapati District Student Alliance, uma organização estudantil local, deteve 23 trabalhadores Kuki-Zo que atuavam em territórios de maioria Naga, ligados à extração comercial de madeira. Outros dois Kuki-Zos da área de Senapati Bazaar também teriam sido detidos. Posteriormente, grupos Kuki-Zo informaram que, após negociações facilitadas pelo Exército Indiano, todos os 14 reféns Naga detidos por seu lado foram libertados em troca de 14 Kuki-Zos detidos por organizações Naga.

Contudo, o United Naga Council, uma das principais organizações da sociedade civil que representa a comunidade Naga, contestou partes deste relato. Em comunicado público, o UNC afirmou que os Kuki-Zos haviam originalmente sequestrado 18 indivíduos Naga, e que apenas 12 foram libertados, incluindo as esposas de três casais detidos. Manifestações continuam a ocorrer exigindo o retorno seguro dos reféns restantes. Segundo a Christian Solidarity Worldwide, protestos pedem a libertação de 14 reféns Kuki e seis reféns Naga cujos paradeiros permanecem desconhecidos.

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