Atraso salarial de seis meses força trabalhador cristão a cometer suicídio em Punjab, Paquistão
Um trabalhador cristão no Paquistão tirou a própria vida após seis meses de atraso no recebimento de seu salário, expondo falhas no sistema administrativo do país. Waseem Masih, que trabalhava na iniciativa Suthra Punjab, focada em saneamento, não conseguia prover o sustento de sua família, composta por sua esposa e três filhos.
A viúva de Masih, Sunita Masih, relatou a difícil realidade financeira enfrentada. Com um salário mensal de 38.000 PKR (aproximadamente US$ 136), que mal cobria as despesas básicas, a falta de pagamento pontual gerou um ciclo de dívidas. Empréstimos eram contraídos para cobrir aluguel, mantimentos e contas de luz, cujos atrasos resultavam em multas pesadas.
“Quando o salário finalmente chegava, os juros sobre os empréstimos haviam acumulado tanto que ficávamos sem nada”, disse Sunita. A pressão financeira impediu que o casal matriculasse os três filhos, de 8, 7 e 5 anos, na escola. A situação se agravou após uma humilhação pública sofrida por Waseem devido ao aluguel atrasado.
Sunita descreveu o dia da morte de Waseem como um momento em que seu mundo desmoronou. Ele retornou cedo do trabalho e demonstrou um comportamento incomumente quieto. Ao voltar do hospital onde buscava emprego, Sunita encontrou seu marido sem vida dentro de casa.
“Meu mundo inteiro desmoronou em um instante”, Sunita Masih
A história de Waseem Masih reflete uma realidade frequente no Paquistão. A comunidade cristã, que representa menos de 2% da população, compõe cerca de 80% da força de trabalho em saneamento e gestão de resíduos. Frequentemente, esses trabalhadores vivem abaixo da linha da pobreza, em condições precárias e sem equipamentos básicos de segurança.
A contratação temporária e por contrato, utilizada por órgãos estatais, permite que departamentos governamentais evitem responsabilidades como pensões e redes de segurança para os trabalhadores. Um integrante da International Christian Concern (ICC) lamentou a situação, afirmando que “ele foi esmagado por um sistema falho que tira tudo de seus trabalhadores mais pobres e não lhes dá nada em troca”.
