Atleta iraniano viraliza com vídeo após amigos serem mortos em protesto

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Atleta iraniano se torna voz de protesto após testemunhar repressão violenta e registrar fuga dramática do país

Um preparador físico iraniano, Ali Rezaei Majd, transformou-se em um símbolo de resistência após viralizar um vídeo em que denunciava a repressão em seu país, momentos depois de presenciar seus amigos serem fuzilados. A publicação ocorreu em meio a manifestações que pediam liberdade na província de Lorestan, região conhecida por sua população combativa. A informação é exclusiva da CBN News.

Rezaei Majd, descrito como uma figura imponente, com mais de 1,80m de altura e 100kg de músculos, tatuagens e cabelos longos, sentia-se ‘vivendo em uma prisão’ desde o nascimento. Ele possuía uma pequena academia e uma presença influente no Instagram, onde compartilhava rotinas de treino e mensagens de disciplina.

Em 5 de janeiro, Ali juntou-se a centenas de manifestantes nas ruas de Doroud, exigindo mudanças e liberdade do regime islâmico. Foi nesse contexto que ele viu amigos serem mortos pelas forças da Guarda Revolucionária Iraniana. “O som de tiros e pessoas sendo mortas pela Basij (polícia da moral) e forças da IRGC, é o que aconteceu. As pessoas pediam liberdade e as forças do governo as matavam tão facilmente”, relatou.

No dia seguinte, Ali gravou uma mensagem em inglês, compartilhada posteriormente. “Nasci na terra da poesia e da história, mas hoje cresço na escuridão. Nossas vozes são silenciadas, nossos sonhos são destruídos e nosso povo está sofrendo”, disse na gravação.

O atleta sabia que postar o vídeo em meio aos protestos traria consequências. “Sim, eu sempre soube disso e estava pronto para tudo”, afirmou. No mesmo dia, autoridades iranianas começaram a procurá-lo. Alertado por amigos, ele precisou fugir, mudando de cidade diariamente e documentando sua jornada em direção à fronteira com o Iraque.

Ali conseguiu cruzar ilegalmente para o Iraque com a ajuda de amigos. Embora triste por deixar sua terra natal, ele sentiu que não tinha outra escolha. “Eu amo minha casa. Eu amo meu povo”, declarou.

Durante dez anos no Irã, Ali praticou o cristianismo em segredo. No Iraque, em 7 de março, ele foi batizado em uma pequena igreja doméstica, uma decisão que não poderia tomar em seu país de origem. Atualmente, Ali, que também usa o nome Michael, continua a usar sua plataforma para denunciar o regime, pedindo ajuda internacional para libertar o Irã.

Ele se juntou a um grupo militar curdo no Iraque, que treina para uma possível incursão no oeste do Irã. “Como cristão, perdoo todos os IRGC. Rezarei por eles todos os dias. Mas, sabe, acho que sou como um cão pastor para o Senhor. Então, um cão pastor às vezes deve proteger as ovelhas. Então, acho que é isso que devo fazer”, concluiu.

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