Violência contra agricultores e diplomatas europeus gera condenação unânime das igrejas de Jerusalém em meio à colheita de azeitonas na Cisjordânia
Patriarcas e chefes das igrejas cristãs em Jerusalém manifestaram repúdio após um ataque de colonos israelenses contra agricultores palestinos e uma delegação de diplomatas europeus na aldeia de Taybeh, a leste de Ramala. Segundo o portal Evangelico Digital, o episódio ocorreu no último sábado durante uma visita de solidariedade aos trabalhadores locais.
Relatos indicam que os agressores, alguns com rostos cobertos e armados com garrotes, bloquearam a passagem dos diplomatas e exigiram identificação. O incidente resultou em ferimentos ao prefeito da cidade francesa de Aulnoye-Aymeries e danos a um veículo do consulado belga, além do confisco de parte da produção de azeitonas da comunidade cristã.
Contexto de instabilidade na colheita
O episódio em Taybeh não é considerado isolado pelas autoridades religiosas. A região enfrenta um aumento de tensões durante a colheita, período vital para a subsistência das famílias palestinas. De acordo com o Ministério da Saúde palestino, pelo menos quatro pessoas morreram e mais de uma centena ficaram feridas desde o início do mês.
Dados da organização de direitos humanos Yesh Din apontam a ocorrência de 170 ataques de colonos desde o final de setembro. O cenário de insegurança é agravado pela disputa ideológica sobre a posse das terras e dos frutos, alimentada por correntes extremistas que justificam ações violentas sob argumentos religiosos.
Repercussão internacional e respostas
Governos estrangeiros exigiram ações imediatas das autoridades israelenses para conter os grupos extremistas. O ministro de Relações Exteriores belga, Maxime Prévot, defendeu a aplicação de novas sanções pela União Europeia contra a violência dos colonos. Em paralelo, o exército israelense classificou o ato como uma "grave violência", mas alegou falta de coordenação prévia na visita da delegação diplomática, enquanto a polícia local iniciou uma investigação sobre o caso.
Taybeh, identificada como a última localidade totalmente cristã na Cisjordânia, tem sido alvo recorrente de investidas, incluindo um incêndio criminoso próximo ao cemitério e à igreja de São Jorge, ocorrido em julho de 2025.
