Relatório da organização HRANA aponta uma escalada acentuada no uso da pena capital e aprofunda preocupações globais com a falta de transparência judicial
O Irã executou mais de 2.000 pessoas ao longo de um período de 12 meses, conforme dados compilados pela Human Rights Activists News Agency (HRANA). A organização sem fins lucrativos, que monitora a situação dos direitos humanos no país, registrou 2.003 execuções entre outubro de 2025 e outubro de 2026, representando um crescimento de 29% em comparação com as 1.553 mortes documentadas no ano anterior, segundo informações do portal Christianity Daily.
O aumento da pena de morte no cenário político
Os números apresentados pela HRANA revelam um padrão de escalada consistente desde o período de 2019-2020. O volume atual de execuções supera em 182% a média registrada nas últimas dez apurações da organização. O levantamento ressalta que a maior parte dessas sentenças, cerca de 95%, ocorreu sem qualquer divulgação oficial por parte das autoridades iranianas.
Entre os casos documentados, crimes de homicídio compõem 57,6% das sentenças, seguidos por ofensas relacionadas a drogas, com 36,3%. Contudo, o relatório também identifica uma parcela significativa de motivações políticas e de segurança:
As descobertas apontam para uma intensificação acentuada nas execuções, um sigilo contínuo sobre a implementação das sentenças de morte e um aumento nas execuções relacionadas a questões políticas e de segurança.
Dados demográficos e restrições de acesso
A organização mapeou 69 execuções vinculadas a crimes políticos ou de segurança, das quais 35 possuem ligação direta com protestos ocorridos em janeiro de 2026. O documento ainda aponta:
- Pelo menos 47 mulheres foram executadas no período;
- Quatro indivíduos tinham menos de 18 anos na época do suposto delito;
- 16 mulheres foram sentenciadas à morte;
- Seis casos envolveram execuções públicas.
A HRANA esclarece que os números apresentados são os valores mínimos que puderam ser verificados de forma independente. As restrições severas ao acesso de registros oficiais e a alta taxa de execuções não anunciadas dificultam a obtenção de um dado total que reflita a extensão completa das punições aplicadas pelo governo iraniano.
