Desastre natural e pressões religiosas devastam famílias cristãs em região indiana atingida por inundações severas e isolamento social persistente
A região de Bastar, em Chhattisgarh, enfrenta as piores enchentes dos últimos 15 anos após tempestades de monções e descargas de barragens transbordarem o rio Indravati. O desastre, ocorrido entre 24 e 27 de setembro, resultou em oito mortes e deslocou milhares de famílias. Conforme dados da International Christian Concern (ICC), o evento atingiu 571 vilarejos, deixando cerca de 16 mil pessoas resgatadas e 22 mil em abrigos temporários.
Vulnerabilidade e perseguição
Para a minoria tribal cristã, a tragédia possui uma dimensão adicional. Muitos sobreviventes, cujas casas de barro colapsaram, enfrentam agora o deslocamento duplo, carregando o estigma de perseguições prévias. O pastor Golu Singh, um dos atingidos, descreve a situação em seu abrigo improvisado:
“Muitas das famílias estão usando lonas como telhados para cozinhar e dormir.”
Singh relata que sua própria igreja se tornou um centro de refúgio para cinco famílias. O líder religioso, que sofreu ameaças de morte em meses anteriores por defender uma fiel, observa que a hostilidade de grupos nacionalistas hinduístas não cessou com a crise climática.
Impacto socioeconômico
Antes mesmo do excesso de chuvas, a comunidade cristã local já sofria com boicotes socioeconômicos impostos por conselhos de vilarejos. Conflitos impediram o acesso a poços de água potável, a compra de mantimentos e até o direito ao sepultamento em terras ancestrais. O cultivo agrícola, base de subsistência de muitas dessas famílias, foi interrompido por radicalistas, resultando agora em terras cobertas apenas por areia e pedras após o recuo das águas.
Voluntários de organizações como a Esai Ekta Manch têm mobilizado redes locais para a distribuição de rações secas, kits médicos e lonas. Apesar dos esforços de socorro, o cenário permanece precário, com famílias cristãs enfrentando suspeitas e isolamento até mesmo nos abrigos compartilhados, onde a discriminação imposta por vizinhos persiste como uma barreira adicional à recuperação pós-catástrofe.
