Arqueólogos que atuam em Israel trazem descobertas bíblicas para o Brasil em evento inédito
A cidade de São Paulo sedia, de quinta-feira (27) a sábado (29) de agosto, o 9º Congresso Internacional de Arqueologia Bíblica (CIAB). O encontro reúne arqueólogos com experiência em escavações em Israel para discutir o tema “Jerusalém, Atenas e Roma: Arqueologia e fé”. Segundo o historiador Ariel Horovitz, idealizador do congresso e diretor do Moriah International Center, o evento visa ampliar o entendimento sobre o contexto em que a Bíblia foi escrita.
Horovitz explicou que a escolha de Jerusalém, Atenas e Roma como eixos temáticos busca demonstrar a interconexão desses três universos. Jerusalém representa o âmbito bíblico e judaico; Atenas, o mundo grego e helenístico; e Roma, o poder político e cultural que moldou o Novo Testamento. Esses três elementos se fundem de forma notável no período de Jesus e do cristianismo primitivo.
“O objetivo desta edição é mostrar como esses três mundos se encontraram e como conhecer esse contexto pode enriquecer e aprofundar nossa compreensão do texto bíblico”, disse Horovitz. Ele destacou a importância de ouvir aqueles que estão diretamente envolvidos na exploração histórica.
“Existe uma diferença muito grande entre aprender arqueologia apenas por meio de livros e ouvir aqueles que estão, literalmente, desenterrando a história bíblica”, afirmou Horovitz. Ele ressaltou que os participantes do congresso dirigem ou integram escavações, trabalham com achados e participam da interpretação, garantindo acesso ao conhecimento arqueológico em sua fonte primária.
O historiador ponderou que a arqueologia não tem o propósito de “provar a Bíblia”, mas sim de auxiliar na reconstrução do mundo onde os textos bíblicos surgiram. O conhecimento sobre cidades, costumes e inscrições de épocas passadas permite a percepção de detalhes antes despercebidos no texto bíblico.
A arqueologia bíblica, segundo Horovitz, funciona como um catalisador para aprofundar a relação com as Escrituras. Ela desperta a curiosidade, mostrando que há sempre novas descobertas a serem feitas, gerando perguntas sobre locais, costumes e significados de expressões para pessoas daquela época, e impulsionando o retorno ao estudo bíblico.
“Uma das grandes contribuições da arqueologia é despertar a curiosidade”, comentou Horovitz. Ele completou, afirmando que a Bíblia deixa de ser apenas um texto familiar para se tornar um campo de exploração quando o cristão compreende a riqueza histórica presente em cada página.
Horovitz também enfatizou a responsabilidade de quem ensina a Bíblia, dada a influência que suas palavras exercem sobre a compreensão das pessoas. Ele acredita que o acúmulo de ferramentas para o estudo sério prepara melhor os educadores.
“Quem ensina a Bíblia assume uma responsabilidade muito grande, porque aquilo que transmite acaba influenciando a maneira como outras pessoas compreendem as Escrituras. Por isso, acredito que quanto mais ferramentas tivermos para estudar com seriedade, melhor preparados estaremos para ensinar.”
Ele explicou que a formação em áreas como arqueologia, história e geografia bíblica desenvolve um olhar mais crítico, auxiliando a distinguir o que o texto afirma, o que as evidências permitem concluir e o que é mera repetição de tradições. O objetivo é ensinar com responsabilidade, reconhecendo os limites do conhecimento, e não apenas acumular curiosidades para tornar pregações mais interessantes.
O congresso conta com a participação de especialistas como o Dr. Yehiel Zelinger (Autoridade de Antiguidades de Israel), Me. Zachi Dvira (diretor do Projeto de Peneiramento do Monte do Templo) e Me. Rivka Devira (linguista da Academia da Língua Hebraica). Todas as palestras terão tradução simultânea para o português.
