Suspeito em morte de Charlie Kirk expressou arrependimento e enviou mensagens incriminatórias, aponta investigação
O homem acusado de atirar e matar o ativista conservador Charlie Kirk, Tyler Robinson, teria dito ao seu companheiro de quarto que “queria não ter feito isso” no dia seguinte ao incidente. A declaração foi revelada em uma gravação de entrevista com as autoridades exibida em tribunal.
Lance Twiggs, parceiro romântico de Robinson, descreveu a interação em um interrogatório policial que foi transmitido pela promotoria. Na mesma data, pouco antes de se entregar à polícia, Robinson publicou em um grupo de chat na plataforma Discord a mensagem “fui eu na UVU ontem”. Mensagens apresentadas pela acusação detalharam ainda a troca de textos entre Twiggs e Robinson, incluindo preocupações sobre impressões digitais em um rifle. O suspeito também teria enviado uma mensagem a Twiggs afirmando que Kirk foi alvo por ele “estar farto de seu ódio”.
A defesa de Robinson tentou, sem sucesso, impedir a divulgação pública das declarações de Twiggs e das mensagens do chat, argumentando que poderiam ser interpretadas como confissão e prejudicar o direito a um julgamento justo. Contudo, o juiz estadual Tony Graf autorizou a exibição de uma versão editada do vídeo e de áudios selecionados após debate prolongado, que incluiu a participação de um advogado da família de Kirk.
O julgamento de Robinson, que responde por assassinato qualificado, ainda não teve seu mérito apresentado. Ele se apresentou um dia após o tiroteio fatal contra Kirk, um aliado de Donald Trump conhecido por mobilizar eleitores jovens republicanos. Investigadores acreditam que Robinson usou um rifle de seu avô para cometer o crime. Registros indicam que Twiggs conversou com as autoridades dias após o assassinato e novamente em abril, recebendo imunidade para seus depoimentos.
O juiz Graf decidirá ao final da audiência preliminar se há evidências suficientes para levar Robinson a julgamento. Advogados do réu não comentaram sua culpa ou inocência, mas buscaram, sem sucesso, retirar a possibilidade de pena de morte. A promotoria alega que Robinson confessou em uma nota a Twiggs: “Tive a oportunidade de eliminar Charlie Kirk e vou aproveitar”.
Advogados da imprensa e a viúva de Kirk, Erika, defenderam a transparência do processo. “Não ser transparente, não ser aberto e deixar o mundo ver o que aconteceu criará dúvida e desconfiança no sistema judicial”, afirmou o advogado da família Kirk, Jeffrey Neiman. Ele solicitou a exibição aberta de todas as provas contra Robinson em tempo real durante a audiência.
O juiz ponderou que nem todas as evidências seriam expostas abertamente para proteger os direitos de vítimas e do réu. Segundo a investigação, Robinson efetuou um único disparo no pescoço de Kirk de um telhado próximo, enquanto o ativista falava com uma multidão. A arma do crime, um rifle com uma cápsula deflagrada, foi encontrada embrulhada em uma toalha em uma área de mata.
Robinson assistiu à audiência em silêncio, vestido com terno e gravata, com uma algema presa à cintura. Seus pais e irmãos estiveram presentes, assim como os pais de Charlie Kirk e a senadora republicana Mike Lee. A mãe de Robinson chorou durante a leitura das mensagens do Discord.
