Professor irlandês Enoch Burke é libertado após quase dois anos detido por se recusar a usar pronomes de gênero
O Tribunal Superior de Dublin determinou a soltura do professor irlandês Enoch Burke, que permaneceu preso por aproximadamente 700 dias. A decisão encerra um longo litígio iniciado após sua recusa em utilizar pronomes de gênero considerados incorretos, o que levou à sua suspensão da Wilson’s Hospital School. O juiz Brian Cregan justificou a libertação pela conclusão do processo do Painel de Recurso Disciplinar (DAP), responsável por analisar o apelo do educador contra sua demissão.
Ao sair da prisão, Burke expressou desconfiança quanto à imparcialidade do DAP, alegando que membros do painel possuíam laços com a Igreja da Irlanda, instituição à qual a escola está ligada. Ele considerou o procedimento uma “farsa”, “fraude” e “escândalo”, argumentando que a situação configura um conflito de interesses e viola o princípio jurídico de que ninguém deve julgar causas onde possui interesses.
Enoch Burke, que se identifica como evangélico, foi afastado em agosto de 2022. O conflito escalou quando ele se opôs a uma política escolar que exigia o uso de pronomes alinhados à identidade de gênero declarada por alunos. A disputa se intensificou com o retorno de Burke às instalações da escola, mesmo suspenso e contra ordens judiciais que o proibiam de acessar o local. Ele foi repetidamente encarcerado por desacato ao tribunal devido a essas violações.
O caso gerou debates na Irlanda, com opiniões divididas. Apoiadores de Burke o veem como um defensor da liberdade religiosa e de consciência, penalizado por se opor ao que consideram uma ideologia de gênero prejudicial. Críticos, inclusive alguns cristãos, apontam que suas atitudes foram desrespeitosas e contrárias a princípios cristãos, e que sua detenção decorreu de seu comportamento e da desobediência a ordens judiciais, não de suas crenças.
A decisão de libertação pelo Supremo Tribunal considerou que o cenário jurídico mudou após Burke perder seu recurso contra a demissão por má conduta grave, alterando o contexto para a análise de sua prisão. No entanto, o tribunal manteve críticas à conduta do professor durante o processo.
