Juíza do Texas obtém vitória legal de US$ 640 mil após recusar casamentos homoafetivos por convicção religiosa
Uma juíza do Texas que se recusou a oficializar casamentos entre pessoas do mesmo sexo devido às suas convicções religiosas conquistou uma longa batalha legal. A juíza Dianne Hensley obteve uma vitória significativa, garantindo danos monetários e proteções contra futuras ações disciplinares. A decisão encerra um processo que se arrastava por anos contra a Comissão do Judiciário do Texas.
A decisão de uma corte distrital de Travis County concedeu a Hensley US$ 10 mil em danos e mais de US$ 630 mil em honorários advocatícios. A juíza, baseada em Waco, havia sido anteriormente sancionada pela Comissão após recusar a realização de cerimônias de casamento para casais do mesmo sexo, enquanto continuava a oficializar uniões entre casais de sexos opostos.
Detalhes da decisão judicial
A ruling, datada de 16 de junho, determinou que a Comissão do Judiciário do Texas está proibida de tomar qualquer medida adicional contra Hensley por aderir às suas crenças religiosas sobre o casamento. A decisão impede especificamente a Comissão de “investigar, sancionar ou disciplinar” a juíza por recusar-se a oficializar casamentos homoafetivos com base em sua fé, independentemente de ela continuar a realizar casamentos para casais heterossexuais.
Segundo o First Liberty Institute, que representou a juíza, Hensley sempre seguiu a lei e as orientações legais oficiais. “A juíza Hensley sempre aderiu à lei e às orientações legais fornecidas pelo procurador-geral do Texas”, afirmou Hiram Sasser, conselheiro geral do First Liberty Institute. “Estamos gratos que este caso tenha chegado ao fim e que a juíza Hensley tenha sido$
indada.”
Ações para garantir acesso a cerimônias
O First Liberty Institute também destacou que Hensley tomou medidas para assegurar que casais do mesmo sexo pudessem obter cerimônias de casamento acessíveis em seu condado. A juíza compilou uma lista de referências de celebrantes locais que realizariam cerimônias para casais do mesmo sexo pelo mesmo valor.
Apesar de Hensley nunca ter recebido reclamações públicas sobre sua política, a Comissão emitiu um aviso público alegando violação do Código de Conduta Judicial do Texas. Em resposta, Hensley entrou com uma ação em 2019, argumentando que a ação disciplinar infringia seus direitos sob a Lei de Restauração da Liberdade Religiosa do Texas.
Mudanças na legislação e contexto legal
O cenário legal mudou em 2025, quando a Suprema Corte do Texas aprovou emendas ao Código de Conduta Judicial do Estado. A nova redação estabelece: “Não é uma violação desses cânones para um juiz abster-se publicamente de realizar uma cerimônia de casamento com base em uma crença religiosa sinceramente mantida.”
Hensley também moveu uma ação federal separada contestando a constitucionalidade da decisão da Suprema Corte dos EUA de 2015, Obergefell v. Hodges, que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país. A queixa argumentava que oficializar um casamento é um ato de fala e que a Comissão impedia Hensley de se expressar, a menos que ela concordasse em realizar casamentos homossexuais contra sua fé cristã e a lei do Texas.
Decisão final e impacto
Em 9 de janeiro de 2026, a mais alta corte do Texas, em um caso separado, decidiu que a Comissão não tinha autoridade sob a lei texana para disciplinar juízes que se recusam a realizar casamentos do mesmo sexo por motivos religiosos ou morais. Este desfecho representa uma vitória significativa para os defensores da liberdade religiosa e pode influenciar a resolução de casos semelhantes envolvendo juízes e funcionários públicos em todo o Texas.
