Especialista iraniana alerta que regime utiliza acordo EUA-Irã para se fortalecer e não busca paz genuína no Oriente Médio
A visão ocidental de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã é vista com ceticismo por Lana Silk, do Transform Iran. Ela sugere que o regime iraniano encara a negociação como uma estratégia para ganhar tempo e recursos, e não como um passo para a estabilidade.
Silk explica que o Irã frequentemente apresenta acordos como vitórias, mas suas ambições de longo prazo permanecem inalteradas. A especialista compara a situação a uma tática conhecida no Islã como ‘hudna’, um período de pausa para reagrupar e rearmar, permitindo que o regime avance em seus objetivos.
“Nossos inimigos, acho que eles nos veem como um pouco tolos e ingênuos no que estamos celebrando agora. Eles não tornaram seus objetivos de longo prazo um segredo, e esses objetivos não mudaram”, afirmou Silk, destacando que o Irã não esconde suas intenções.
A análise de Silk sugere que o acordo recente, que inclui a questão do Estreito de Hormuz, foi um movimento estratégico do Irã. O país teria cedido algo de valor como alavancagem para, em troca, obter tempo e fundos, voltando essencialmente ao ponto de partida, mas com vantagens renovadas.
“O que nós demos foi dinheiro nos bolsos do nosso inimigo, e tempo para que eles se reagrupassem, se fortalecessem e voltassem à luta que sempre pretenderam lutar e vencer”, disse a especialista.
A diferença no contexto político entre o Irã e os EUA é apontada como um fator crucial. Enquanto líderes iranianos ocupam cargos vitalícios, permitindo uma estratégia de longo prazo, os Estados Unidos alternam lideranças a cada eleição, o que, segundo Silk, torna o Irã capaz de esperar por um momento mais oportuno para dialogar ou superar a liderança americana.
Silk acredita que o Irã não vê Donald Trump como um adversário fácil devido à sua postura agressiva, optando por aguardar uma administração mais receptiva. Ela também menciona que o Irã pode ter dado o Estreito de Hormuz como um trunfo inicial para negociar mais tarde.
Apesar do cenário crítico, Silk encoraja a esperança, pedindo que as pessoas se informem e orem. Ela compara a situação ao êxodo bíblico do Egito, onde Deus usou a resistência do Faraó para demonstrar Seu poder. “Eu olho para todos esses eventos e penso que Deus está se preparando para libertar o Irã”, concluiu.
