Vice-presidente dos EUA questiona ‘frenesi’ de Israel após acordo de paz com Irã e reabertura de rotas marítimas
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, classificou como “um pouco estranho” a reação de Israel ao recente acordo com o Irã, que visa encerrar a guerra e normalizar as relações diplomáticas. A declaração ocorre em meio à retomada do tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Hormuz, após semanas de interrupção.
Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, forças americanas suspenderam o bloqueio de todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos, seguindo diretrizes presidenciais. Vídeos divulgados por satélite mostram embarcações comerciais transitando pela importante via marítima. Navios da Marinha dos EUA permanecerão na área para garantir o cumprimento de todos os termos do acordo.
Vance criticou ministros israelenses que pediram o descumprimento do acordo, classificando-o como um perigo à segurança do país. Ele ressaltou a importância do apoio americano, lembrando que “nos últimos três meses, dois terços das armas defensivas que protegeram sua pátria foram construídas por mãos americanas e pagas com dólares de impostos americanos”.
O vice-presidente defendeu a posição do presidente Trump, que permite ao Irã manter certas capacidades de mísseis para autodefesa, desde que não representem ameaça global e que o programa de armas nucleares não seja reativado. “Você não pode dizer a um país, seja Israel ou Irã, que eles não têm permissão para ter qualquer autodefesa”, afirmou Vance.
O acordo, que marca o fim permanente das operações militares no Líbano, também prevê um cessar-fogo completo em todas as frentes, incluindo Hezbollah e Israel. Vance expressou expectativa de que o Hezbollah cesse o lançamento de foguetes e drones contra Israel, e que os israelenses também evitem ações “desenfreadas” no Líbano.
Contudo, o Líbano exige a retirada das tropas israelenses de uma zona de segurança no sul do país como parte do acordo. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que a manutenção dessa zona é crucial para a segurança de Israel, separando terroristas do Hezbollah de comunidades israelenses. A tensão na região é evidenciada por um ataque do Hezbollah no sul do Líbano que resultou na morte de um comandante de batalhão do IDF e três soldados, seguido por retaliações israelenses.
Em relação ao programa nuclear iraniano, Steve Witkoff, enviado de Trump, informou a legisladores americanos que o Irã convidará inspetores americanos e da ONU para visitar instalações com material nuclear enriquecido. Há indicativos de que o material enriquecido permanecerá no país, sendo diluído sob supervisão.
No Irã, Hassan Khomeini, neto do primeiro líder supremo, saudou o acordo como uma “vitória” para Teerã, indicando que “a maior jihad agora começará”. O regime tem enfrentado dificuldades em conter a dissidência interna, com milhares de mortos e detidos em manifestações recentes.
