Trump e Pezeshkian assinam memorando de entendimento para cessar-fogo; acordo prevê US$ 300 bilhões para o Irã
Um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, visando um cessar-fogo imediato e permanente em todas as frentes, foi assinado na quarta-feira. O acordo, publicado no mesmo dia, estipula que ambos os lados se comprometem a não reiniciar conflitos ou ações militares, além de respeitar a integridade territorial e soberania do Líbano. A assinatura ocorreu em um jantar em Versalhes, onde o presidente americano Donald Trump formalizou o documento, enquanto o presidente iraniano Masoud Pezeshkian o fez em Teerã. A Casa Branca divulgou um vídeo da cerimônia de assinatura na plataforma X.
O acordo também permite que o Irã mantenha seu programa de mísseis. Em contrapartida, os Estados Unidos e parceiros regionais elaborarão um plano de reconstrução e desenvolvimento econômico para a República Islâmica, com um montante de pelo menos US$ 300 bilhões. “Se você mantiver isso [a guerra] em andamento, isso poderia ter acontecido. Mas tudo o que sei é que toda vez que falamos sobre a possibilidade de paz, a bolsa de valores disparou como um foguete“, declarou o presidente Trump sobre o potencial impacto econômico.
Trump enfatizou que o acordo é um memorando de entendimento e que o não cumprimento por parte do Irã resultará na perda dos fundos e no retorno à guerra. “É apenas um fundo de US$ 300 bilhões. É apenas se eles estiverem fazendo as coisas certas. Lembrem-se disso também quando falamos de bilhões de dólares, eles tiveram muito mais de US$ 1 trilhão em danos”, alertou o presidente. Ele acrescentou uma advertência clara sobre possíveis violações: “Vamos bombardear o inferno deles se violarem o acordo. Não quero que o façam. Quero que honrem o acordo.”
No mesmo dia da assinatura do memorando, um soldado israelense foi morto e sete outros ficaram feridos em dois ataques distintos realizados pelo Hezbollah. Israel não demonstrou favoritismo em relação ao acordo com o Irã. Fontes de segurança sêniores citadas pelo The Jerusalem Post indicaram que o bloqueio econômico contra o Irã estava sendo eficaz e que, se mantido pelos EUA, o país não teria resistido.
O deputado israelense Ohad Tal, do Partido Sionismo Religioso, criticou o acordo em entrevista ao The Media Line, declarando que “o acordo com os iranianos é um mau negócio. Ponto final. Deixa eles com seu urânio, seu programa de mísseis e sua capacidade de espalhar terrorismo pelo mundo, ao mesmo tempo que canaliza dinheiro para o regime que apenas o fortalecerá e avançará suas ambições extremistas”. Tal ainda ressaltou que o Líbano não deveria ter sido incluído no acordo, afirmando que “o que acontece no Irã é problema do Presidente Trump, mas o que acontece no Líbano é uma preocupação exclusiva de Israel”.
Críticos americanos, como o comentarista Ben Shapiro, também manifestaram desaprovação. Shapiro afirmou que as ações anteriores do presidente em relação ao Irã, como a Operação Midnight Hammer e ataques a instalações de mísseis balísticos, foram atos de bravura política. “Este MOU parece ser um desastre que não atinge nenhum dos objetivos reais definidos pela administração no início”, ponderou.
