Arcebispos e rabinos denunciam escalada de repressão e execuções no Irã em meio a clima de guerra, segundo analista de direitos humanos
Autoridades iranianas estariam usando o clima de guerra como pretexto para intensificar a repressão interna e silenciar a crescente oposição, segundo uma análise de direitos humanos. Dezenas de pessoas foram executadas após julgamentos considerados injustos e confissões obtidas sob coação. Um comunicado conjunto de 30 arcebispos, bispos e rabinos destacou que o chefe do judiciário solicitou publicamente a aceleração de sentenças, suprimindo salvaguardas legais e o devido processo para agilizar a emissão e execução de penas de morte.
O analista de direitos humanos, com mais de cinquenta anos de experiência em casos de direitos humanos em diversas regiões do mundo, observa que uma parcela significativa dos executados foi alvo devido à sua afiliação com a Organização Mojahedin do Povo do Irã (PMOI/MEK). Outros detidos ligados à organização permanecem no corredor da morte, incluindo jovens protestantes detidos durante a revolta de janeiro e indivíduos com idades entre 18 e 60 anos.
Relatos indicam que as famílias frequentemente são informadas sobre as execuções somente após o ocorrido, sendo convocadas a cemitérios onde os corpos aguardam. Em muitos casos envolvendo membros da PMOI, os corpos são retidos, negando aos familiares o direito básico de sepultamento. Em uma situação documentada, irmãs que insistiram em saber a localização do túmulo de seu irmão foram presas e permanecem detidas.
As vítimas de execuções e detenções teriam sido submetidas a torturas físicas e psicológicas severas para obtenção de confissões forçadas. Essas práticas são descritas não como procedimentos de um estado de direito, mas como marcas de uma inquisição motivada pelo medo. O Irã figura entre os piores perseguidores de minorias religiosas, especialmente a cristã.
Igrejas domésticas são alvo de batidas policiais, e fiéis são detidos durante cultos. Pastores enfrentam sentenças por possuir Bíblias, e conversos podem receber longas penas de prisão, em alguns casos culminando em execução. A perseguição se estende à fé como um todo, considerada uma ameaça pelas autoridades.
A fonte relembra o caso do Bispo Haik Hovsepian Mehr, superintendente das igrejas Assembleias de Deus no Irã, que desapareceu em 19 de janeiro de 1994 e cujo corpo mutilado foi encontrado posteriormente. Sua oposição pública à perseguição de cristãos levou ao seu desaparecimento, e as autoridades iranianas são amplamente apontadas como responsáveis. Um dia antes de seu sequestro, o bispo escreveu sobre os perigos enfrentados pelos cristãos, expressando disposição para morrer pela causa da igreja.
O sofrimento dos inocentes, na tradição cristã, não é silencioso, e as vozes das vítimas ecoam além das forcas, testemunhando a injustiça e apelando à consciência mundial. O povo iraniano clama por liberdade, demonstrando coragem em levantes nacionais recentes, que resultaram em milhares de mortos e dezenas de milhares de presos por buscarem direitos fundamentais.
Um protesto internacional contra as execuções está agendado para 20 de junho em Paris, reunindo mais de 100 mil iranianos e apoiadores. Políticos de ambos os lados do Atlântico confirmaram presença para expressar apoio ao Conselho Nacional de Resistência do Irã (NCRI), uma coalizão de movimentos de oposição que rejeita tanto a antiga ditadura Pahlavi quanto a teocracia atual. O NCRI propõe um plano de dez pontos para uma transição democrática, que inclui a separação entre religião e Estado, igualdade de gênero, um Irã não nuclear e liberdade de religião.
Em 28 de fevereiro, o NCRI anunciou a formação de um governo provisório com base neste plano democrático. A análise conclui que é crucial ouvir e amplificar a mensagem que emanará de Paris, pois este é um momento em que responsabilidade moral e interesse estratégico se alinham. Permanecer em silêncio diante do sofrimento é considerado cumplicidade, e a defesa da luta do povo iraniano por liberdade e dignidade é apresentada como um imperativo.
