Emilio Delgado, deputado do Más Madrid, solicita a proibição do evangelismo nos vagões do metrô de Madri, acusando pregadores de ‘vigaristas’ e ‘golpistas’, e provoca uma contundente resposta do ministro Jorge Rodrigo, que sugere um viés anticristão na iniciativa
O transporte público da capital espanhola tornou-se palco de um intenso embate ideológico após o deputado Emilio Delgado, da legenda progressista Más Madrid, apresentar um pedido formal na Assembleia Legislativa de Madri. A solicitação, datada de 14 de maio, visa a que a presidente regional, Isabel Díaz Ayuso, altere os regulamentos do metrô para coibir a prática do evangelismo nos vagões, conforme noticiou o portal Gospelmais.
Em seu pronunciamento, Delgado não poupou críticas aos pregadores evangélicos, rotulando-os como “vigaristas e golpistas” que estariam, segundo ele, a importunar os passageiros. O parlamentar alegou que o metrô estaria sendo utilizado para a promoção de eventos desses religiosos, aos quais se referiu como “uma força religiosa particularmente agressiva”, associada ao movimento “Make America Great Again” e ao ex-presidente Donald Trump.
Delgado explicou sua crítica, detalhando que falava dos “evangélicos pentecostais, ultraconservadores em questões sociais, ultra-liberais em questões econômicas”. Além disso, ele questionou supostos milagres e a prática de falar em línguas, argumentando que a atuação dos evangélicos estaria contribuindo para a “deterioração da convivência” e que eles “entram nos vagões para importunar e sequestrar as pessoas”.
Ministro rebate e aponta viés religioso na proposta
A ofensiva do deputado contra o evangelismo encontrou forte oposição no Ministro da Habitação, Transportes e Infraestrutura da região, Jorge Rodrigo. O ministro informou que já existem normas em vigor para coibir comportamentos que perturbem a ordem pública no metrô, aplicáveis a qualquer infrator, incluindo pregadores que se mostrem inconvenientes. Entretanto, Jorge Rodrigo sugeriu que a motivação de Delgado tinha um alvo específico.
Rodrigo confrontou diretamente a base do pedido, afirmando:
“Vocês não trouxeram essa questão aqui por causa do barulho e da necessidade de convivência pacífica. Vocês a trouxeram à tona, insisto, porque são cristãos.”
O ministro ainda pontuou a seletividade da crítica, dizendo que, caso os evangelistas estivessem disseminando “propaganda comunista ou pregando as virtudes da revolução boliviana, o Más Madrid ficaria em silêncio”. Ele concluiu seu argumento ressaltando:
“Vocês se sentem desconfortáveis com o cristianismo porque ele representa justamente o oposto do seu projeto político.”
Crescimento evangélico na Espanha em meio ao debate
Este embate político surge em um contexto de notável expansão do número de igrejas evangélicas em toda a Espanha. Um relatório do Observatório do Pluralismo Religioso, divulgado em 2025, revela a existência de 4.763 templos evangélicos no país. A Catalunha lidera essa estatística com 1.010 locais de culto, seguida de Madri (855), Andaluzia (744) e Comunidade Valenciana (510).
O crescimento da presença evangélica tem sido acompanhado de discussões intensas sobre os limites da liberdade religiosa e a utilização do espaço público, tornando a proposta de Delgado um catalisador para um debate mais amplo na sociedade espanhola.
