Manipur segue dividido com barreiras étnicas e insegurança para cristãos após três anos de conflito
Três anos após o início do conflito étnico entre as comunidades Kuki-Zo, de maioria cristã, e Meitei, hindu, em Manipur, na Índia, a região permanece dividida. Embora os confrontos em massa tenham diminuído, a violência armada resultou na divisão do estado em zonas étnicas separadas por “zonas de amortecimento” patrulhadas pelo governo, intransponíveis para ambos os lados.
O escritor e ativista indiano John Dayal ressalta que, até o momento, nenhuma pessoa foi condenada por assassinato, estupro ou incêndio criminoso cometidos desde 3 de maio de 2023. A violência, que separou Manipur por suas linhas étnicas, completa três anos em uma condição considerada pior do que no início, com uma inevitável separação religiosa.
Após o fim da “Presidência Federal” em fevereiro de 2026, a comunidade cristã Kuki-Zo decidiu não participar da nova administração estadual, liderada pelo atual Ministro-Chefe Yumnam Khemchand Singh, devido a ressentimentos étnicos não resolvidos. Um relatório do Tribunal Independente do Povo da PUCL, presidido pelo ex-juiz da Suprema Corte Justice Kurian Joseph, documentou em agosto de 2025 a crença dos sobreviventes de que o estado permitiu ou participou da violência.
O impacto nos cristãos de Manipur continua significativo, com deslocamentos contínuos, segregação e barreiras à prática religiosa. Registros oficiais até março de 2026 indicam que 58.821 pessoas permanecem em 174 campos de refugiados, com 7.894 casas destruídas e 2.646 parcialmente danificadas. Muitos cristãos Kuki-Zo não conseguem retornar aos seus lares originais no vale de Imphal, capital da região, pois suas propriedades foram destruídas ou ocupadas.
O United Christian Forum (UCF) enviou uma carta ao atual Ministro-Chefe de Manipur expressando profunda preocupação com a deterioração da situação e solicitando medidas urgentes para restaurar a paz. Toko Teki, porta-voz da região Nordeste do UCF, descreveu o conflito como uma “crise humanitária grave e crescente”, citando perda de vidas, destruição de lares e um clima de medo generalizado.
O forum apelou às principais organizações comunitárias, incluindo o United Naga Council, a Coordinating Committee on Manipur Integrity e a Kuki Inpi Manipur, para trabalharem juntas pela paz e reconciliação. O UCF é uma organização de direitos humanos sediada em Nova Deli, que monitora e reporta violência e discriminação contra cristãos na Índia.
Famílias em campos de refugiados enfrentam dificuldades para obter itens básicos como leite, água potável e comida. Embora a Suprema Corte da Índia tenha determinado a restauração de locais de culto, muitas congregações ainda não possuem um espaço permanente para se reunir. Relatos indicam que no vale, dominado pelos Meiteis, cristãos convertidos enfrentam perseguição contínua de grupos extremistas, sendo alguns impedidos de realizar cultos em suas próprias casas e tendo privilégios sociais revogados.
Organizações da sociedade civil continuam a clamar por intervenção federal decisiva para desarmar grupos militantes e garantir um acordo de paz permanente, mas o caminho para a normalização ainda é longo.
