Homem cristão preso e suspenso em posição de “crucificação” no Egito por conversão

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Egípcio detido em prisão no Cairo por conversão religiosa

Um cidadão egípcio convertido do Islã para o Cristianismo está atualmente em julgamento no Cairo, enfrentando acusações graves relacionadas à sua fé e tentativas de alterar sua designação religiosa em documentos de identidade. O caso de Said Mansour Rezk Abdelrazek, formalmente iniciado na semana passada, tem atraído a atenção de defensores da liberdade religiosa.

Abdelrazek foi inicialmente preso em julho de 2025 sob acusações ligadas ao terrorismo. Embora deixar o Islã não seja ilegal no Egito, a alteração de documentos estatais é restrita e pode levar a acusações de ameaça à segurança nacional.

Acusações e condições de detenção

Segundo informações da Coptic Solidarity, promotores apresentaram diversas alegações contra ele, incluindo formação e liderança de um grupo ilegal, participação em tal grupo, financiamento de suas atividades e promoção de crenças consideradas prejudiciais à unidade nacional, além de insulto ao Islã.

Em 21 de abril, a equipe jurídica de Abdelrazek apresentou moções, solicitando mais tempo para preparar a defesa. A corte aprovou o adiamento, com a próxima audiência marcada para 15 de junho. Atualmente, Abdelrazek está detido na Prisão de 10 de Ramadã, onde relatos indicam negação de alimentação, vestuário e cuidados médicos adequados, além de ter sido submetido a abuso físico, incluindo ser suspenso em uma posição de “crucificação”.

Histórico e deportação

As dificuldades decorrentes de sua conversão levaram Abdelrazek a deixar o Egito em 2019 e buscar refúgio na Rússia. Ele solicitou asilo por motivos religiosos. Contudo, em 2023, autoridades russas o detiveram por um vídeo privado que supostamente ofendia o Islã, além de comentários online sobre a religião.

Em 2024, a Rússia o deportou de volta ao Egito, apesar de seu status junto ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), que o reconheceu como elegível para proteção internacional. Essa deportação gerou preocupações entre defensores de direitos humanos sobre violações dos princípios de não-refoulement.

Detenção e interrogatório no Egito

Ao retornar ao Egito, Abdelrazek foi detido por cerca de 10 dias sem comunicação externa. Assim que a comunicação foi restabelecida, autoridades egípcias o interrogaram sobre suas crenças religiosas, pressionando-o a reconsiderar sua fé, monitorar outros convertidos e excluir suas contas de redes sociais. Ele foi liberado com a instrução de não falar publicamente nem fazer proselitismo.

Em julho de 2025, Abdelrazek foi novamente detido sem mandado após retomar o compartilhamento de suas visões religiosas online e buscar assistência legal para alterar oficialmente sua designação religiosa. Ele também relatou que, durante a detenção, foi forçado a remover uma tatuagem cristã e mantido por longos períodos em posição de “crucificação”.

Said Mansour Rezk Abdelrazek aguarda atualmente uma decisão sobre um pedido de visto humanitário submetido à Austrália em maio de 2024. Os processos legais correm perante o Primeiro Circuito Criminal de Terrorismo do Egito em Badr, a leste do Cairo.

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