Viúva relata a rotina de dor após morte de marido em ataque do Hezbollah em Israel
A cerimônia anual em memória aos soldados mortos em Israel, marcada por sirenes e um momento de reflexão nacional, destacou as perdas recentes. No último ano, 170 militares foram vítimas de ataques, impactando profundamente diversas famílias. Entre elas está Gal Raviv-Galea, 37 anos, que se tornou viúva após a morte de seu marido, o Major Itay Galea, em 2024, durante um ataque com foguete perpetrado pelo Hezbollah. Ela compartilha a difícil jornada de criar seus três filhos sozinha, uma realidade que define seu dia a dia.
Apesar de a data oficial de luto ser um momento de lembrança para muitos, para Gal, cada dia é uma vivência da perda. “Muitas vezes me perguntam se este é um dia difícil para mim. E para mim, pessoalmente, não é, porque eu vivo essa realidade todos os dias”, relatou à CBN News. Ela enfatiza a importância da memória coletiva, afirmando: “Eu acho que é importante que os outros se lembrem, porque isso não é apenas a nossa história. É a nossa realidade e a nossa presença.”
A vida de Gal foi drasticamente alterada em outubro de 2023. Seu marido, Itay, que amava ser pai e já era pai de dois dos três filhos do casal, foi convocado como reservista para combater o Hezbollah na fronteira norte. Na época, Gal estava grávida de 34 semanas do terceiro filho. A notícia da morte dele chegou com a visita de três soldados à sua porta, um momento que ela descreveu como “o maior choque da minha vida”.
“Você vê três soldados, três pessoas uniformizadas, paradas na sua frente. Tipo, não há outra razão pela qual eles poderiam estar lá.”
O impacto foi devastador, e a necessidade de se reerguer pela família tornou-se imediata. “Foi muito difícil”, explicou Gal. “Acho que ter filhos te força a funcionar e a não sentir que eles acabaram de perder o pai. Eu não quero que eles sintam que tudo ao redor deles também está desmoronando.” Mesmo em meio à dor, ela encontrava forças para prosseguir, admitindo que “você desmorona a cada segundo que não está com as crianças”.
Hoje, os filhos de Gal têm 8, 5 e 20 meses. Ela demonstra determinação em manter viva a memória do pai. “É interessante”, observou. “Porque no início era muito difícil para mim olhar fotos. Eu realmente não conseguia. Mas, na verdade, meus filhos pediram para ver fotos, e acho que foi uma terapia para mim poder, lentamente, conseguir olhar fotos também.”
Através do apoio de sua família, amigos e da organização IDF Widows and Orphans, Gal encontrou suporte essencial. “Este é um programa incrível e me ajudou muito”, disse. O nascimento de Romi, sua terceira filha, foi um marco, especialmente com os acampamentos oferecidos pela organização para crianças órfãs, algo que ela inicialmente não conseguia sequer ouvir, mas que agora reconhece como fundamental para que seus filhos compreendam e não sintam vergonha de sua história.
Embora a dor do luto possa ter momentos de trégua, a lembrança de Itay permanece. Gal deseja que seus filhos o recordem como “uma pessoa muito gentil, esperta e inteligente, que amava estar em ação, fazer coisas e estava sempre com um sorriso no rosto”. Ela descreveu o marido como “muito sionista”, alguém que, mesmo afirmando que seria sua última vez em serviço de reserva, continuava a se apresentar “porque estava em seu sangue”. A vida de serviço de Itay deixou uma família para sempre transformada, e Gal conclui, resignada mas firme: “Eu nunca vou aceitar que isso aconteceu. Eu nunca terei paz com isso, mas entendo que esta é a minha realidade.”
