Documentos da CPI do Crime Organizado expõem pagamentos de R$ 65 milhões do Banco Master a ex-ministros e aliados
Documentos fiscais do Banco Master, apresentados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal, indicam que a instituição financeira realizou repasses somando R$ 65 milhões entre 2023 e 2025. Os recursos foram destinados a empresas e escritórios de advocacia associados a ex-ministros de Estado, líderes partidários e ao ex-presidente Michel Temer (MDB).
O escritório de Michel Temer recebeu R$ 10 milhões durante o período. Em posicionamento oficial, Temer confirmou a prestação de serviços jurídicos ao Banco Master, mas ressaltou que o valor contratado foi de R$ 7,5 milhões, focado em uma “atividade jurídica de mediação”. Ele não ofereceu detalhes sobre a discrepância entre o montante informado e o registrado nos documentos fiscais.
Empresas ligadas aos ex-ministros da Fazenda Henrique Meirelles e Guido Mantega também estão entre os beneficiários. O escritório de Meirelles obteve R$ 18,5 milhões, enquanto o de Mantega foi agraciado com R$ 14 milhões. Mantega declarou ter atuado como consultor econômico e financeiro do banco em 2024 e parte de 2025. “Quando firmei o contrato não tinha conhecimento de nenhuma irregularidade eventualmente cometida por essa instituição financeira”, afirmou.
Henrique Meirelles confirmou a relação comercial, detalhando que manteve “um contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo, entre março de 2024 e julho de 2025”.
Os documentos também detalham um repasse de R$ 5,4 milhões a uma empresa de consultoria vinculada ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil). Em nota, ACM Neto assegurou que os serviços prestados foram lícitos e que nenhum dos sócios da empresa ocupava cargo público na época do contrato. Ele acrescentou que foi apresentada petição à PGR e ao STF na qual a A&M “se coloca à disposição para prestar eventuais esclarecimentos e detalhes dos serviços prestados, assim como requereu que se apurasse o vazamento de dados fiscais sigilosos”.
Outro pagamento identificado foi de R$ 6,1 milhões a um escritório utilizado por familiares do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. A assessoria de Lewandowski informou que, após deixar o STF em abril de 2023, ele retomou a advocacia e prestou consultoria jurídica ao Banco Master.
Há também registro de R$ 6,4 milhões pagos ao escritório de Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil. A defesa de Rueda declarou não confirmar informações oriundas de dados fiscais “supostamente vazados”, mas garantiu a legalidade de todos os serviços prestados. Segundo a nota, os trabalhos incluíram pareceres, reuniões, audiências, manifestações em processos e acordos judiciais, com atuação “estritamente técnica, com atuação relevante e devidamente documentada”.
A matéria foi originalmente publicada pelo Pleno News.
