Myanmar: Chefe da junta militar indicado para presidência após eleição controversa

Mais lidas

Chefe da junta militar de Myanmar é indicado à presidência em parlamento recém-eleito após pleito questionado

O líder militar de Myanmar, Min Aung Hlaing, foi formalmente indicado ao cargo de presidente durante a primeira sessão do parlamento recém-eleito, realizada nesta segunda-feira. Esta nomeação ocorre em um contexto de eleições amplamente criticadas por sua falta de imparcialidade, com importantes partidos de oposição sendo impedidos de participar. O parlamento é atualmente controlado por uma coalizão de partidos alinhados às forças armadas, que detêm um percentual fixo de 25% das cadeiras, além de assentos obtidos por aliados. Juntos, militares e seus parceiros somam aproximadamente 90% das posições no corpo legislativo bicameral.

Min Aung Hlaing liderou o golpe militar em 2021, que resultou na deposição do governo democraticamente eleito e liderado pela laureada com o Nobel, Aung San Suu Kyi. Analistas apontam que a aspiração de Hlaing ao posto presidencial pode ter sido um dos fatores determinantes para a ação militar. No entanto, a legislação vigente exige que ele renuncie à sua posição como chefe das Forças Armadas caso aceite a presidência.

Rumores indicam possíveis insatisfações dentro da liderança militar em relação a Hlaing, o que adiciona um elemento de incerteza à sua indicação. A consolidação de seu poder político levanta preocupações significativas para as minorias religiosas e a oposição política no país.

Desde que assumiu o poder, a junta militar efetuou a prisão de mais de 30.000 opositores políticos e causou a morte de cerca de 8.000 pessoas, conforme dados recentes da Assistance Association for Political Prisoners. As Forças Armadas de Myanmar, conhecidas localmente como Tatmadaw, estão envolvidas na que é considerada a mais longa guerra civil do mundo contra a própria população civil, com ataques aéreos contra igrejas, mesquitas, hospitais e vilarejos inteiros.

O genocídio contra a minoria Rohingya, de maioria muçulmana, continua, resultando no deslocamento de pelo menos 1,5 milhão de pessoas e na morte de dezenas de milhares. No início deste ano, um ataque aéreo do Tatmadaw contra uma aldeia predominantemente cristã menonita gerou condenação internacional. Contudo, essa ação não foi um caso isolado. O Myanmar Peace Monitor reporta que o Tatmadaw atingiu mais de mil locais civis em um período recente de 15 meses.

Em março de 2025, a Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) divulgou um relatório criticando a repressão sistemática a minorias religiosas pelo Tatmadaw e solicitando maior atenção internacional à situação dos perseguidos em Myanmar. O relatório da USCIRF de março de 2026 reiterou as graves violações contra minorias religiosas, incluindo cristãos, com ataques e incêndios a igrejas, especialmente em áreas de maioria cristã.

Apesar de a maioria da população ser de etnia Burman e predominantemente budista, as comunidades minoritárias, muitas com identidades religiosas distintas, são bem estabelecidas e possuem uma longa história no país. Cerca de 20% a 30% dos Karen são cristãos, e grupos como os Chin são mais de 90% cristãos. Essa sobreposição entre identidade étnica e religiosa tem criado um cenário particularmente volátil para os cristãos.

A interpretação extremista do budismo pelo exército birmanês tem um histórico de violência contra diversas etnias e minorias religiosas, incluindo os Rohingya e os Chin.

Ads

Mais notícias

Ads
Ads

Últimas Notícias