MENU

segunda-feira, 16 março 2026

Cirurgiões dos EUA restringem cirurgias de afirmação de gênero em menores de 19 anos

Mais lidas

Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos recomenda adiar procedimentos de mudança de sexo em menores de 19 anos

A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS) divulgou novas diretrizes nesta terça-feira (3), orientando que procedimentos cirúrgicos de redesignação sexual, como em mamas, genitais e face, sejam adiados até que os pacientes completem 19 anos. A organização, que representa mais de 11 mil médicos globalmente, posicionou-se como a primeira entidade médica de renome nos Estados Unidos a se opor à realização dessas cirurgias em indivíduos menores de idade.

A ASPS baseou sua mudança de posição em análises recentes de evidências científicas. A entidade citou preocupações sobre os resultados na saúde mental com baixa certeza, potenciais danos a longo prazo e a natureza irreversível das intervenções cirúrgicas, além de evidências insuficientes sobre uma relação risco-benefício favorável. A sociedade também destacou que uma proporção considerável de crianças com disforia de gênero pré-puberal experimenta resolução ou redução do sofrimento na vida adulta sem intervenção médica ou cirúrgica.

Evolução da posição e revisões de evidências

Em agosto de 2024, a ASPS iniciou uma reavaliação de suas orientações, reconhecendo a incerteza sobre os impactos desses procedimentos. A nova recomendação difere das diretrizes de 2019, que indicavam que a cirurgia plástica poderia auxiliar pacientes com disforia de gênero a alinhar seus corpos e melhorar sua saúde mental. A compreensão da entidade evoluiu com novas revisões, incluindo a revisão Cass do Reino Unido e a revisão de 2025 do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo Trump.

A ASPS esclareceu que os médicos não dispõem de métodos confiáveis para distinguir entre jovens cujo desconforto persistirá na vida adulta e aqueles cujo desconforto diminuirá espontaneamente. As análises mais recentes contribuíram para uma compreensão mais clara dos potenciais danos, destacando lacunas na documentação dos resultados físicos, psicológicos e psicossociais a longo prazo.

Reações e contexto legal

A nova orientação da ASPS gerou repercussão em outras organizações médicas. A Associação Médica Americana (AMA) afirmou que as evidências para intervenção cirúrgica em menores são insuficientes para uma declaração definitiva, concordando que tais intervenções devem ser adiadas para a vida adulta na ausência de evidências claras. Por outro lado, a Academia Americana de Pediatria (AAP) manteve sua posição anterior, reiterando que a AAP não recomenda cirurgia genérica para menores com disforia de gênero e que as decisões devem ser tomadas por pacientes, famílias e médicos.

A Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgênero (WPATH) reiterou seu apoio ao acesso a cuidados cirúrgicos para menores sob “diretrizes e critérios cautelosos”, opondo-se a uma “abordagem de idade definitiva ou única para todos os pacientes” e defendendo decisões caso a caso.

A mudança de posicionamento da ASPS ocorre em meio a crescente escrutínio sobre essas cirurgias em menores nos EUA. Recentemente, um júri em Nova York concedeu US$ 2 milhões a uma jovem que processou médicos por falha na obtenção de consentimento para uma mastectomia aos 16 anos. Diversos detransicionadores entraram com ações semelhantes por má prática médica. Estima-se que pelo menos 5.700 crianças americanas passaram por cirurgias relacionadas a gênero entre 2019 e 2023.

A administração Trump também tem adotado medidas restritivas. O secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., elogiou a decisão da ASPS, afirmando que a entidade está “protegendo as crianças de procedimentos prejudiciais de rejeição de sexo”. A ASPS enfatizou que sua nova orientação apoia a autorregulação profissional em vez de abordagens legislativas punitivas, aconselhando seus membros a estarem cientes das leis estaduais.

Ads

Mais notícias

Ads
Ads

Últimas Notícias