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sábado, 14 março 2026

Maioria de americanos não considera fé em Deus necessária para moralidade

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Uma mudança significativa na percepção pública está em curso nos Estados Unidos: pela primeira vez em anos, uma maioria expressiva de americanos não considera mais a fé em Deus como um requisito para ser uma pessoa moral e possuir bons valores. Esta tendência, que tem se acentuado nos últimos anos, reflete uma transformação na forma como a sociedade americana enxerga a relação entre religião e ética, com a crença em Deus perdendo terreno como pilar fundamental da moralidade.

A pesquisa, divulgada recentemente, aponta que essa visão é majoritariamente defendida por indivíduos que já não se identificam com nenhuma afiliação religiosa. Essa percepção crescente de que a moralidade pode existir independentemente da crença religiosa tem implicações profundas para o cenário social e cultural dos Estados Unidos, indicando um possível descolamento entre a prática religiosa e a conduta ética para uma parcela cada vez maior da população.

A ascensão da autonomia moral

De acordo com novos dados do Folha Gospel, que compilam informações do Pew Research Center, 68% dos adultos americanos concordaram em 2025 com a afirmação de que “Não é necessário acreditar em Deus para ser moral e ter bons valores”. Este índice representa a maior parcela de adultos a concordar com essa perspectiva desde 2002, quando a pergunta começou a ser feita regularmente. Em 2014, por exemplo, apenas 58% dos americanos compartilhavam dessa opinião.

Jonathan Evans, pesquisador sênior do Pew Research Center, destaca em um comunicado que, entre 2002 e 2011, a população americana estava dividida de forma quase igual ou tendia a acreditar na necessidade da fé para a moralidade. Contudo, a partir de 2014, essa inclinação se inverteu, com os americanos passando a considerar mais frequentemente que a crença em Deus não é um pré-requisito para a conduta moral.

Desde 2020, aproximadamente dois terços dos adultos nos EUA têm sustentado a posição de que a crença em Deus não é indispensável para a moralidade e os bons valores. Essa tendência não se restringe aos Estados Unidos, com pesquisas em outros 24 países da Europa, África, Ásia e Américas na primavera de 2025 revelando uma maioria significativa em metade dessas nações, especialmente na Europa, concordando com a mesma ideia.

Diferenças globais e a correlação com a fé

Em contrapartida, a Índia e a Indonésia apresentaram um aumento na parcela de adultos que ainda consideram a crença em Deus essencial para a moralidade. Na Índia, a porcentagem de adultos que afirmam essa necessidade aumentou 6 pontos percentuais desde 2019 (de 79% para 85%), e 15 pontos percentuais desde 2013 (de 70% para 85%). Na Indonésia, a associação entre fé em Deus e moralidade é ainda mais forte, com 96% ou mais dos adultos confirmando essa ligação em todas as cinco vezes em que a pergunta foi feita desde 2007.

A pesquisa também identificou uma forte correlação global entre acreditar em Deus e considerar a fé necessária para a moralidade. Enquanto países europeus mostram uma tendência de desvinculação, nações como Brasil, Índia, Indonésia, Quênia, Nigéria, África do Sul e Turquia apresentam uma clara maioria de adultos que associam moralidade e bons valores à crença em Deus. Um exemplo citado é a Hungria, onde dois terços dos adultos que consideram a religião muito importante também afirmam que a crença em Deus é necessária para a moralidade, em contraste com apenas 19% daqueles que atribuem menor importância à religião.

O declínio da religiosidade nos EUA

Essas descobertas sobre a percepção da moralidade nos EUA coincidem com dados recentes da Gallup, que indicam um número recorde de americanos sem afiliação religiosa formal, os chamados “sem religião”, representando uma parcela sem precedentes da população em 2025. Além disso, menos da metade (47%) dos adultos americanos declaram que a religião é “muito importante” em suas vidas, com outros 25% considerando-a “bastante importante”.

O percentual de americanos que consideram a religião “muito importante” tem diminuído consistentemente. De acordo com a Gallup, esse índice era de 70% a 75% nas décadas de 1950 e 1960, caindo para 58% em 2012. Megan Brenan, editora sênior da Gallup, conclui que a relação dos americanos com a religião continua em evolução, marcada por um número decrescente de adultos que consideram a fé central em suas vidas.

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