Cristãos Fulani negam ligação com Miyetti Allah em meio a onda de violência e mortes em Plateau, Nigéria
Cristãos da etnia Fulani na Nigéria declararam não serem membros da Miyetti Allah, organização sociopolítica frequentemente associada a atos de terrorismo e perseguição a cristãos. A nota surge em resposta à escalada de ataques atribuídos a militantes Fulani em comunidades do estado de Plateau, onde pelo menos 16 cristãos foram mortos somente em março, incluindo um jovem cristão Fulani de 12 anos. A informação foi divulgada pela International Christian Concern (ICC).
Rev. Buba Aliyu, presidente da Fulani Christian Association of Nigeria (FCAN), esclareceu a distinção durante visita a Miango. Ele explicou que os cristãos Fulani formam uma comunidade religiosa distinta dentro do grupo étnico Fulani, não devendo ser associados a entidades que promovem a violência. “Nossa fé ensina paz e respeito pela vida humana”, declarou Aliyu.
A Miyetti Allah, que engloba a Miyetti Allah Cattle Breeders Association of Nigeria (MACBAN) e a Miyetti Allah Kautal Hore, tem sido alvo de debates sobre conflitos entre agricultores e pastores e ataques violentos na região central da Nigéria. Preocupações sobre grupos armados ligados a militantes Fulani radicalizados foram levantadas por líderes comunitários e grupos de defesa.
Representantes dos Estados Unidos também abordaram a questão, com o Deputado Christopher Smith propondo sanções a indivíduos ligados a organizações implicadas em perseguição religiosa na Nigéria. A legislação nomeou especificamente a MACBAN e a Miyetti Allah Kautal Hore como entidades acusadas de envolvimento em abusos, sugerindo restrições de visto e congelamento de bens para membros ligados a ataques contra civis.
Comunidades em Plateau têm sido alvo de ataques recorrentes. Em março, a ICC registrou 16 mortes de cristãos em incidentes separados nas áreas de Miango e Barkin Ladi. Moradores relataram à ICC que os ataques ocorrem em comunidades agrícolas rurais, onde vilarejos são frequentemente alvos noturnos de militantes armados.
Durante sua visita a Miango, Rev. Aliyu participou de um encontro da Evangelical Church Winning All (ECWA). Ele apresentou líderes e membros da Fulani Christian Association, reforçando a mensagem de apoio aos cristãos locais. “Viemos para cumprimentá-los, para nos solidarizar e para nos encorajarmos mutuamente”, disse Aliyu.
O líder da FCAN destacou que a associação tem raízes históricas em Miango, onde iniciou em 1972, expandindo-se posteriormente. Ele mencionou que a crescente insegurança forçou a mudança de algumas reuniões para cidades maiores como Jos, por motivos de segurança. Apesar dos desafios, a associação mantém sua presença e apoio aos fiéis na região.
Aliyu também revelou ter recebido ameaças de morte relacionadas ao seu trabalho com cristãos Fulani, mas reafirmou seu compromisso. Ele agradeceu aos líderes tradicionais locais pelo engajamento com as comunidades cristãs.
A Fulani Christian Association descreve seu papel como provedora de comunhão e apoio a Fulani convertidos ao cristianismo, trabalhando com igrejas para promover a coexistência pacífica e dar voz aos crentes Fulani, frequentemente no meio de tensões étnicas e religiosas.
O representante da FCAN também abordou a percepção generalizada que associa todo o grupo étnico Fulani ao terrorismo. “Entre o povo Fulani, há muitos que vivem pacificamente”, afirmou. “Aqueles envolvidos em crimes não representam toda a comunidade”.
Apesar da insegurança, Aliyu encorajou os cristãos a permanecerem firmes na fé. Lideranças em Miango relatam que cristãos Fulani também enfrentam ameaças de elementos extremistas que se opõem à conversão religiosa, levando algumas famílias a buscar segurança em outras comunidades.
