Jovem universitária Isadora Borges é julgada em tribunal federal por postagens sobre identidade de gênero e pode pegar até 10 anos de prisão por suposta transfobia.
Uma estudante universitária identificada como Isadora Borges está em julgamento em um tribunal federal brasileiro, onde as acusações de transfobia podem resultar em uma pena de até 10 anos de prisão. O caso gira em torno de publicações feitas por Borges em redes sociais a respeito de identidade de gênero. As postagens em questão, realizadas em novembro de 2020 quando a estudante tinha 34 anos, alegavam que pessoas que se identificam como mulheres trans “obviamente nasceram homens” e que modificações como cirurgias ou hormônios não alterariam o DNA de nascimento. As declarações foram feitas na plataforma X, anteriormente conhecida como Twitter.
A denúncia à Polícia Federal partiu da política Erika Hilton. Como resultado, uma investigação criminal foi aberta, culminando em um processo que aponta dois crimes de transfobia, cada um com pena prevista de dois a cinco anos de reclusão. As notificações formais das acusações ocorreram em setembro de 2025, antecedendo os recentes procedimentos judiciais. Durante a audiência, o debate central concentrou-se em determinar se os comentários de Borges configuravam opiniões pessoais ou manifestações de discriminação.
Segundo informações do grupo de defesa legal ADF International, o juiz responsável pelo caso sinalizou que o conteúdo das postagens parecia refletir mais uma opinião pessoal do que uma intenção discriminatória. A defesa da estudante teve um prazo de cinco dias para apresentar suas conclusões escritas antes de qualquer decisão judicial. A repercussão do caso ganhou destaque internacional após Elon Musk repostar comentários relacionados ao assunto na plataforma X, ampliando o debate sobre a liberdade de expressão online no Brasil.
A defesa de Isadora Borges expressou otimismo quanto ao reconhecimento do direito à expressão pacífica de opiniões sem a imposição de punições criminais. O contexto legal que envolve o caso é marcado por uma decisão de 2019 do Supremo Tribunal Federal (STF), que equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo. Essa decisão ampliou uma lei antidiscriminação existente para abranger orientação sexual e identidade de gênero, servindo como base para investigações e acusações contra indivíduos por declarações públicas sobre identidade de gênero.
Exemplos anteriores incluem a influenciadora Isabella Cepa e Nine Borges, que enfrentaram investigações em 2025 por conteúdos em redes sociais. O pastor Douglas Baptista também foi alvo de acusações criminais por um livro com visão cristã sobre sexualidade, embora as acusações tenham sido arquivadas posteriormente. Adicionalmente, ações legais envolveram políticos que contestaram supostas restrições à expressão, alegando violações de censura e ações contra plataformas online.
Analistas, como a colunista do Wall Street Journal, Mary Anastasia O’Grady, apontam que a equiparação da transfobia ao racismo pelo STF, sem aprovação legislativa prévia, pode indicar uma expansão do poder judiciário que impacta a liberdade de expressão e a prestação de contas democrática. O caso de Isadora Borges surge, portanto, como um ponto central nos debates sobre direitos, discurso e a aplicação da lei no ambiente digital brasileiro.


