Prefeito de Sorocaba e mais 12 são denunciados pelo MPF em sofisticado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma denúncia formal contra o prefeito afastado de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), sua esposa Sirlange Rodrigues Frate Maganhato e outras 11 pessoas. As acusações englobam organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, peculato, fraudes em licitações e contratações irregulares, conforme detalhado pela Procuradoria Regional da República.
A peça acusatória, elaborada pela procuradora regional Cristina Marelim Vianna, descreve a existência de uma estrutura articulada para o desvio sistemático de recursos públicos. Embora não houvesse uma hierarquia rígida, o grupo se organizava em torno da figura do prefeito, considerado a peça-chave devido ao seu cargo. Servidores de alto escalão, como o ex-secretário de Administração Fausto Bossolo e o ex-secretário de Saúde Vinícius Rodrigues, também teriam participado.
“A materialidade reside na comprovação de que há uma estrutura articulada e organizada para o desvio sistemático de recursos públicos, com uma complexa teia de relacionamentos e atuação coordenada”, afirmou a procuradora na denúncia.
Investigações apontam para fraudes em contratação emergencial
A denúncia é um desdobramento da Operação Copia e Cola, deflagrada pela Polícia Federal em novembro do ano passado, que levou ao afastamento de Manga do cargo por 180 dias. As investigações identificaram indícios de fraudes na contratação emergencial do Instituto de Atenção à Saúde e Educação (ACENI), organização responsável pela gestão de unidades de saúde municipais.
Investigadores detectaram movimentações financeiras suspeitas, como depósitos em espécie, quitação de boletos e transações imobiliárias, que teriam sido usadas para lavagem de dinheiro.
Contrato suspeito envolve empresa da primeira-dama e entidade religiosa
Um ponto central do esquema, segundo a acusação, é um contrato firmado em 2021 entre a empresa de publicidade da primeira-dama — à época denominada Sirlange Rodrigues Frate – ME, hoje 2M Comunicação e Assessoria — e a Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus. A entidade religiosa é liderada pelo bispo Josivaldo Batista e pela pastora Simone Rodrigues Frate de Souza, respectivamente cunhado e irmã de Sirlange.
O contrato previa serviços de marketing com pagamentos que somaram R$ 780 mil entre fevereiro de 2021 e junho de 2023. A Polícia Federal, no entanto, sustenta que os serviços não foram prestados e que o contrato teria sido usado para dar aparência lícita à transferência de valores desviados de contratos municipais.
Em abril, durante a Operação Copia e Cola, foram apreendidos R$ 903 mil em espécie com Josivaldo e Simone.
Denúncia detalha núcleos de atuação criminosa
O MPF estruturou os acusados em três grupos principais:
- Núcleo Político Liderado por Rodrigo Manga, apontado como destinatário de vantagens indevidas. Inclui Fausto Bossolo e Vinícius Rodrigues, que teriam atuado para direcionar a contratação da ACENI e viabilizar o acordo.
- Núcleo Operacional Composto por representantes da ACENI, como Paulo Sirqueira Korek Farias e Anderson Luiz Santana, responsáveis pela interlocução com agentes públicos e operacionalização dos contratos. Sérgio Ricardo Peralta é citado por suposto desvio via subcontratações simuladas.
- Núcleo de Lavagem de Dinheiro e Intermediação Financeira Destaque para Marco Silva Mott, apontado como intermediário de propina, que teria recebido mais de R$ 6,5 milhões em depósitos em espécie. Sirlange Maganhato é acusada de receber recursos via contratos simulados. Josivaldo Batista é apontado como guardião de valores e mantinha contabilidade paralela, enquanto Simone Rodrigues teria utilizado a entidade religiosa para simular contratos e realizar pagamentos de despesas pessoais do casal Manga.
Defesa refuta acusações e alega perseguição política
Em nota oficial, os advogados de Rodrigo Manga, Daniel Leon Bialski, Bruno Garcia Borragine e André Mendonça Bialski, declararam que o prefeito afastado “refuta veementemente as acusações”.
A defesa argumenta que a denúncia é “fruto de investigação completamente nula, porque iniciada de forma ilegal e conduzida por autoridade manifestamente incompetente, bem como fruto de perseguição política”. Os advogados expressaram confiança na inocência de Manga e seus familiares, que, segundo eles, será comprovada no curso do processo.


