Na Zona Sul de São Paulo, descendentes de sírios rezam na língua de Jesus

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Comunidade síria reúne cerca de 300 famílias em ritos cristãos ortodoxos. Missas na igreja da Vila Clementino são rezadas em árabe, aramaico e português.

Para chegar mais perto de Deus, eles rezam em aramaico, língua usada por Jesus, mas para não ficar distante dos paulistanos que não entendem o significado de “Ábo ahid kúl” (Pai todo-poderoso), os folhetos das missas também têm tradução para o português. Assim, padre Gabriel Dahho, responsável pelas celebrações da Igreja Siríaca Ortodoxa, garante que todos que participam das celebrações na Vila Clementino, na Zona Sul de São Paulo, driblam as diferenças culturais.

O padre, que nasceu na Síria e vive há 11 anos em São Paulo, lembra que as celebrações da igreja também têm trechos rezados em árabe, além do aramaico. Tudo devidamente traduzido. A maioria dos fiéis não precisa do apoio, pois são imigrantes ou descendentes de sírios que chegaram a São Paulo na primeira metade do século XX.

Quando chegou à cidade, encontrou cerca de 300 famílias siríacas na comunidade. Hoje, acredita que o número seja um pouco menor, efeito da interrupção das imigrações e dos casamentos com brasileiros. “Mas até os que se casam com sírios estão gostando das celebrações em aramaico”, conta o padre.

Durante os sermões, o português é a língua utilizada. Segundo o padre, o motivo é acolher melhor os possíveis visitantes e aqueles que perderam contato intenso com o idioma. Mas ele faz questão de dizer que o aramaico não é uma língua morta. Longe disso. Para ele, por mais que a comunidade de falantes seja extremamente reduzida, ele conta que mesmo em São Paulo pelo menos cerca de 15 famílias fazem da língua de Jesus o idioma oficial do lar.

Para os fiéis cristãos ortodoxos, o fascínio de participar de uma celebração em aramaico é semelhante à atração provocada nos católicos pelas canções em latim rezadas pelos religiosos do Mosteiro de São Bento. “É mais uma riqueza para o Brasil, para São Paulo, que acolhe tantas comunidades com tanta liberdade”, comenta o padre.

Fonte: G1

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